No Rio, 2 mil cruzes homenageiam as vítimas de homicídio

Número representa o número de mortos de janeiro a abril; idéia é chamar atenção das autoridades, diz ONG

Alexandre Rodrigues, de O Estado de S. Paulo,

26 de abril de 2008 | 13h50

O Movimento Rio de Paz surpreendeu os motoristas que passaram pelo Aterro do Flamengo, na zona sul do Rio, logo no início da manhã deste sábado, 26, com a instalação de 2 mil cruzes nas margens da via expressa. A intenção do protesto é representar, com cada cruz, cada uma das duas mil vítimas de homicídios cometidos no Estado do Rio entre janeiro e abril de 2008, segundo levantamento da ONG. Segundo os organizadores, a idéia é chamar a atenção das autoridades para o alto número de assassinatos, desaparecimentos e vítimas de balas perdidas. As cruzes começaram a ser posicionadas numa extensão de 2 km do Aterro ainda de madrugada. No final da manhã, os militantes colocaram nomes de vítimas nas cruzes e iniciaram uma passeata. O protesto é similar ao realizado pelo Rio de Paz no ano passado, quando 700 cruzes amanheceram na Praia de Copacabana para denunciar a violência. Entre os lembrados no protesto, estão vítimas recentes da violência no Rio, como o bancário Marcelo Ribeiro, de 28 anos, morto no último dia 15 por ladrões que queriam seu carro. A mãe dele depositou um ramo de flores ao lado da cruz. Outra vítima lembrada é Leonardo de Souza, de 29 anos, morto em fevereiro por uma bala perdida quando viajava num ônibus. O irmão dele, Fabiano de Souza, passou a integrar o movimento e também participou do ato. Tijuca A violência também foi o tema escolhido por moradores e estudantes da Tijuca, na zona norte do Rio, que realizaram uma caminhada pelas ruas do bairro. Segundo os organizadores, a intenção é protestar contra "as diversas formas de violência", entre elas a praticada contra crianças. Alguns alunos das escolas que participaram da passeata carregavam cartazes lembrando a menina Isabella Nardoni, atirada de um edifício em São Paulo há um mês.Participaram da caminhada a empregada doméstica Sirlei Dias, espancada por jovens num ponto de ônibus em julho do ano passado, e a mãe da estudante Gabriela Prado, morta em frente a uma estação de metrô da Tijuca durante um tiroteio entre policiais e assaltantes. Os pais do menino João Hélio Fernandes, arrastado até a morte pelo cinto de segurança do carro da mãe levado por assaltantes em janeiro de 2007, também eram aguardados no protesto. A iniciativa do protesto partiu de estudantes de escolas do bairro e contou com o apoio da Arquidiocese do Rio. A caminhada foi encerrada em frente à Basília Santa Teresinha, onde foi celebrada uma missa.

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