Tasso Marcelo/AE
Tasso Marcelo/AE

No Rio, bondinho de Santa Teresa tomba e mata ao menos 5 pessoas

Outros 57 ficaram feridos, 10 em estado grave; governo admitiu falta de manutenção e suspendeu serviço

Alfredo Junqueira e Sergio Torres, O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2011 | 18h12

RIO - Quatro passageiros e o condutor morreram na tarde deste sábado, 27, quando o tradicional bondinho que corta o bairro de Santa Teresa, entre o centro e a zona sul do Rio, saiu dos trilhos e capotou. Pelo menos 57 feridos foram hospitalizados, 10 em estado grave. O bonde ficou totalmente destruído. Os corpos das vítimas pararam a 10 metros de distância dos destroços.

 

Além do condutor, morreram uma garota de 13 anos, um casal de idosos e uma pessoa com cerca de 30 anos. Ao menos um deles era turista e morava em outro Estado. Os nomes das vítimas não haviam sido divulgados até o fim desta noite, pois a polícia ainda não havia localizado todas as famílias dos mortos.

 

O governo do Rio anunciou que o serviço de bondes em Santa Teresa está suspenso até que sejam conhecidas as causas do acidente. O secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, admitiu que o bondinho não havia passado por reforma. Além disso, o veículo estava superlotado: sua capacidade é de 38 passageiros sentados, e, segundo a secretaria, é ‘desaconselhável’ que usuários fiquem de pé.

 

Lopes ficou junto aos destroços por menos de dez minutos, pois as pessoas da área, aos gritos, o chamavam de "assassino". Antes de sair, definiu o episódio como "uma fatalidade" e que a apuração se dará "com toda transparência e isenção".

 

"As informações preliminares são de que o bonde era muito antigo e que não havia passado pelo processo de reforma da frota. O bonde estava muito cheio", afirmou Lopes.

 

Freios. O acidente ocorreu por volta das 16h. O bondinho descia a Rua Joaquim Murtinho, rumo aos Arcos da Lapa, quando, em uma curva acentuada à esquerda, descarrilou, de acordo com o relato de testemunhas. Uma das hipóteses em análise pela perícia, que prosseguia à noite, é que o veículo teria perdido o freio.

 

A funcionária pública aposentada que se identificou apenas como Ana, de 65 anos, fraturou a clavícula esquerda. Ela disse que o bonde, antes do acidente, estava "em uma velocidade estúpida". Ana estava com cinco amigos, passeando de bondinho.

 

A hipótese de perda do freio é a mais provável para o motorneiro Gilmar Silvério. Minutos antes, ele havia entregado a condução do veículo ao colega Nelson Correia da Silva. Segundo ele, Silva não tinha o hábito de dirigir em alta velocidade.

 

Após deixar os trilhos, o bonde derrubou um poste de energia, atingiu um muro e capotou. Na sequência de choques, o teto foi arrancado. O bondinho ficou aos pedaços. Muitos feridos ficaram presos às ferragens. Outros, atirados longe, foram socorridos inicialmente por pessoas que estavam no local.

 

Três ambulâncias do Corpo de Bombeiros prestaram os socorros iniciais. Os feridos foram levados para os hospitais Souza Aguiar, Miguel Couto e do Andaraí. Entre os internados em estado grave, dois tiveram traumatismo craniano e outros dois, traumatismo torácico.

 

Outros acidentes. Em junho passado, o turista francês Charles Damien Pierson morreu ao despencar de um bondinho que passava sobre os Arcos da Lapa, a uma altura de 15 metros.

O bondinho sai do centro carioca, passa por cima dos Arcos da Lapa, um antigo aqueduto romano que funcionava na época colonial e vai para Santa Teresa. O bairro boêmio é um dos mais visitados por turistas tanto do Brasil quanto do exterior, por causa dos bares, restaurantes e da vista que se tem da Baía de Guanabara.

 

Atualizado às 23h36

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