Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

No Rio, praias ficam lotadas no segundo dia do feriadão

Permanecer na areia está proibido desde março, mas banhistas vêm desrespeitando a regra e muitos não usavam sequer máscara; Prefeitura disse que fiscaliza a situação e pede que as pessoas não se aglomerem

Fábio Grellet e Wilton Junior, O Estado de S.Paulo

06 de setembro de 2020 | 14h27
Atualizado 06 de setembro de 2020 | 17h44

No Rio de Janeiro, este domingo, 6, de sol e temperatura de 27°C ao meio-dia foi mais um dia de praias lotadas e desrespeito às regras de isolamento que ainda vigoram na cidade como forma de combater a covid-19. O Estadão circulou pela Barra da Tijuca, na zona oeste, e por Ipanema e Copacabana, na zona sul, e constatou que todas as praias estavam repletas de banhistas, como já havia acontecido no final de semana passado e no sábado, 5, primeiro dia do feriado prolongado.

Permanecer na areia da praia está proibido desde março. A multa para quem desrespeitar a regra é de R$ 107, mas a reportagem não viu nenhuma fiscalização nem flagrou a aplicação de multas. Até sábado, 16.526 pessoas tinham morrido vítimas da covid-19 em todo o Estado do Rio, onde foram registrados 232.747 casos. Os dados são da secretaria estadual de Saúde.

Em Copacabana, nem era preciso chegar à praia para concluir que ela estava lotada: durante a manhã, a porta da estação Cardeal Arcoverde do metrô despejava a cada cinco minutos pelo menos uma centena de banhistas munidos de caixas térmicas, guarda-sóis e cadeiras. Ao longo dos 45 minutos em que a reportagem acompanhou o movimento, das 11h30 às 12h15, aproximadamente a metade das pessoas usava máscara.  Os camelôs que ocupavam as calçadas da rua Rodolfo Dantas ao longo dos 150 metros que separam a estação de metrô da areia comemoravam o movimento: “Passei quase seis meses sem vender nada, amigo. Preciso desse movimento pra garantir a sobrevivência”, contou o ambulante Emerson Sanches, de 31 anos, que vende balas, amendoins e outras guloseimas a poucos metros da saída do metrô.

“A gente depende desse movimento. Durante a semana o movimento não é ruim, mas a gente consegue ganhar dinheiro mesmo é no sábado, domingo e nesses feriados de sol e calor. Ainda bem que tudo voltou ao normal”, disse a dona de um restaurante na rua Rodolfo Dantas. Naquele momento, oito das 11 mesas do estabelecimento comercial estavam ocupadas. Sobre a covid-19, a comerciante foi incisiva: “Não quero nem pensar nisso!”

Em Ipanema, a praia estava até mais cheia que na semana passada. Nas areias, os ambulantes também aproveitavam a lotação deste domingo. Em 30 minutos na praia (das 10h45 às 11h15), a reportagem facilmente identificou vendedores de mate de galão, embora não tenha conseguido encontrar quem vendesse biscoitos de polvilho Globo, tradicional acompanhamento do mate. Os chuveirinhos voltaram a ser instalados pelos donos de barracas, causando fila de espera entre os banhistas.

Prefeitura diz que fiscaliza as praias e pede que população evite aglomerações

Em nota, a prefeitura do Rio fez um apelo à população para que siga as regras da flexibilização: “É fundamental que aglomerações sejam evitadas, como em praias e bares, porque a disseminação do vírus da covid-19 expõe todos ao risco”, afirmou. Segundo a nota, a Guarda Municipal está fiscalizando e aplicando multas aos banhistas, mas o balanço será divulgado apenas durante a próxima semana.

Ainda conforme a prefeitura, fiscais percorreram 61 quiosques de praias da zona oeste no sábado. “Destes, 20 receberam termo de visita da Vigilância Sanitária, que aplicou três infrações. Também foram fiscalizados oito ambulantes, com um multado, e apreendidas 58 garrafas de vidro com bebidas alcoólicas comercializadas por um barraqueiro. Além disso, sete veículos foram multados, e seis deles removidos por estacionamento irregular”.

Neste domingo um quiosque na Prainha, também na zona oeste, foi parcialmente interditado por manipulação de alimentos. O estabelecimento ainda foi multado por falta de condições higiênico-sanitárias.

Barraqueiros também foram notificados por oferecer cadeiras, guarda-sóis e bebidas alcóolicas aos banhistas. A equipe da Coordenadoria de Controle Urbano também abordou 39 ambulantes não autorizados na orla, que foram orientados a sair do local.

Leblon tem noite agitada

Moradores do Leblon, bairro nobre da zona sul do Rio, relataram à reportagem que a aglomeração vista na noite de sexta-feira, 4, se repetiu neste sábado. A rua Dias Ferreira, um “point” da cidade, com vários bares, ficou lotada. Assim como na véspera, a maioria das pessoas desrespeitava o distanciamento social e não usava máscara.   

“Esse movimento vem acontecendo de quarta a domingo. Nesse feriado ficou impraticável, com pessoas fechando a rua. Muita gente sem máscara, falando alto, gritando e bebendo. As pessoas perderam totalmente o medo (da covid-19). De um mês pra cá parece carnaval”, disse uma moradora do bairro que preferiu não se identificar.

O movimento era tamanho que policiais do 23ºBPM (Leblon) em patrulhamento pelas ruas do Leblon e Ipanema também atuaram tentando dispersar pontos de aglomeração de pessoas. Apesar disso, não houve ocorrências registradas.

De acordo com a prefeitura, desde a noite de sexta-feira, 4, a força-tarefa fiscalizou 28 bares, boates e casas de festa em operações noturnas, a partir de denúncias. Os agentes municipais aplicaram 14 multas por diversas irregularidades, incluindo descumprimento às medidas de enfrentamento à pandemia de covid-19. 

Um total de 16 estabelecimentos foram fechados. No Ponto Chic, em Padre Miguel, a prefeitura precisou pedir apoio da Polícia Militar para conter uma aglomeração por conta de um evento não autorizado, o “Samba da Cabeça Branca”. O estabelecimento que promovia a festa foi autuado, e todo o comércio da região fechado para dispersar o público. No local, duas pessoas também foram multadas por não usarem máscara.

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