No Rio, sem-teto ocupam cinema na Cinelândia

Manifestantes querem estabelecer um projeto cultural de geração de renda para reativar cinema

Pedro Dantas, do Estadão,

01 Outubro 2007 | 19h56

Cerca de 150 pessoas ocuparam na noite de domingo, 30 de setembro, o prédio e as instalações do antigo Cinema Vitória, na Cinelândia, centro do Rio. O ato foi organizado pelo Movimento Nacional de Luta Pela Moradia e outras quatro entidades que integram o Fórum Pela Reforma Urbana no Rio de Janeiro para celebrar o Dia Internacional do Habitat, comemorado nesta segunda-feira.   Veja também: - Movimento sem-teto faz ocupações em 18 cidades do País - Idosa passa mal e morre em confronto da PM com sem-teto em Recife - Sem-teto interditam ruas de Salvador e rodovias na Bahia   "Queremos estabelecer aqui um projeto cultural de geração de renda integrado ao Corredor Cultural do Centro do Rio para reativar o cinema que está fechado há anos", disse um dos líderes do movimento, Gélson Almeida, de 48 anos.   A maioria das famílias veio de favelas dos morros da Babilônia, do Chapéu Mangueira, ambos no Leme, na zona sul do Rio, e do Caju, na zona portuária. "Pago aluguel há 15 anos e já perdi um filho, morto a tiros na favela. Soube do movimento e pensei: por que não? Estamos no meio da poeira, dos ratos e morcegos, mas este é o preço da vitória", disse Lygia Suely da Silva, de 52 anos, que morava no Morro da Babilônia.   Além da violência na favela, o desemprego foi outro fator que levou a descendente de alemães Ana Maria Trarbach, 61, a participar da ocupação. "As favelas estão muito violentas. Eu e meu marido temos dificuldades de entrar e sair .Tenho certeza que conseguiremos permanecer aqui". declarou Ana Maria.   No final da tarde, representantes de uma empresa de engenharia proprietária do prédio estiveram no local acompanhados por policiais da 5.ª Delegacia de Polícia. "Registramos queixa e vamos esperar 72 horas pela desocupação. Caso isso não ocorra, entraremos na Justiça com o pedido de reintegração de posse", afirmou o advogado Rogério Loureiro, que não quis dar o nome da empresa que, segundo ele, pretende reformar e vender o imóvel tombado como patrimônio histórico do municipal.

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