No Rio, Túnel Rebouças é reaberto após ficar 5 dias fechado

Trânsito é liberado no sentido norte e será invertido a partir das 16 horas desta segunda-feira

Solange Spigliatti, do estadao.com.br,

29 Outubro 2007 | 07h30

O Túnel Rebouças, principal ligação entre as zonas norte e sul do Rio de Janeiro, foi reaberto às 5 horas desta segunda-feira, 29, após ficar cinco dias fechado. O túnel foi reaberto parcialmente no sentido zona norte, segundo a Coordenadoria de Vias Especiais. A previsão do secretário municipal de Obras, Eider Dantas, a partir das 16 horas, a passagem terá a direção invertida para facilitar a volta dos moradores à zona sul. O túnel estava fechado desde a quarta-feira, 24, devido ao desabamento de cerca de 7 mil toneladas de terra após às chuvas.   Túnel é a principal ligação entre as zonas norte e sul e poderá ser liberado totalmente na terça-feira   "Uma cúpula de metal de 4,5 metros de extensão será instalada na galeria para proteger motoristas dos detritos", disse Dantas. Com o mesmo objetivo, a prefeitura vai colocar um bloco de concreto de 2,6 metros de altura entre as duas galerias. Dantas afirmou que a reabertura completa do Rebouças pode ocorrer na terça ou na quarta, caso não volte a chover.   Segundo a Prefeitura, cerca de 6 mil toneladas de terra já foram retiradas da encosta localizada acima da entrada do túnel e abaixo do Morro Cerro-Corá, no Cosme Velho. Mas a quantidade de terra que deslizou pode ser bem maior que as 7 mil t estimadas inicialmente.   Autoridades voltaram a trocar acusações sobre a responsabilidade pelo desmoronamento. Dantas disse que a prefeitura encontrou um cano de 2 polegadas da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) com furos e rachaduras sobre a encosta - a possibilidade de o desmoronamento ter sido causada por rompimento de tubulação foi levantada no dia da interdição, pelo prefeito Cesar Maia.   O presidente da Cedae, Wagner Victer, afirmou que um cano com essas medidas não seria capaz de provocar a queda de barreira, mesmo que o vazamento tivesse começado meses atrás. "Não vou cair na armadilha política que visa a desviar a atenção da população sobre as causas deste acidente. Se um cano rachado com o diâmetro de uma caixa de fósforos causasse deslizamento de terra, todas as favelas do Rio já teriam ruído. A responsabilidade por medidas como drenagem, combate ao desmatamento, coleta de lixo e controle de encostas e das construções irregulares é do município", disse Victer. Segundo ele, as ligações de água no Cerro-Corá foram feitas no ano passado, como parte do programa Favela-Bairro, da prefeitura.   Em meio ao bate-boca de autoridades, moradores do Cerro-Corá reclamam que o abastecimento foi suspenso desde o deslizamento. A prefeitura anunciou que usará carros-pipa para abastecer a caixa-d'água da favela. A Cedae retomou o fornecimento na sexta, mas tem dado prioridade a bombeiros que jogam jatos d'água na encosta com o objetivo de facilitar a remoção manual dos detritos.   Desde a interdição do Rebouças, muitos cariocas têm deixado o carro na garagem e usado o metrô, que no domingo, 28, teve movimento 20% superior à média dos domingos. Mas o dia foi de trânsito complicado na zona sul, cujas praias ficaram cheias, por causa do sol forte. No fim da tarde, havia engarrafamentos nas principais vias da cidade.   (Colaboraram Fabiana Cimieri e Pedro Dantas, do Estadão.)  

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