Eduardo Naddar/O Globo
Eduardo Naddar/O Globo

Novo comandante da PM elogia coronel acusado de nazismo

'Um oficial de extrema competência', disse o coronel Alberto Pinheiro Neto; em coletiva, ele afirmou que desconhecia teor de mensagens 

Tiago Rogero, O Estado de S. Paulo

15 Janeiro 2015 | 19h07


RIO - Na primeira entrevista coletiva após assumir oficialmente o cargo, em 5 de janeiro, o novo comandante geral da Polícia Militar do Rio, coronel Alberto Pinheiro Neto, elogiou o coronel Fábio Almeida de Souza, de 45 anos, suspeito de incitação à violência e nazismo. "Um oficial de extrema competência", disse o comandante sobre o coronel Fábio de Souza, exonerado também no dia 5 pelo secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, após publicação de reportagem da Revista Veja que revelou o teor de mensagens trocadas entre o oficial e seus comandados.

Souza era um dos principais nomes da corporação: nos últimos dois anos, além de liderar por duas vezes o Choque, foi comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e chefiou a guarda pessoal de Beltrame. Apesar de ter sido anunciado em novembro como novo comandante geral da PM, Pinheiro Neto só tomou posse este ano - precisava de um tempo para assumir e o cargo foi ocupado interinamente pelo coronel Íbis Pereira. Ainda assim, Pinheiro Neto ordenou mudanças e escolheu os chefes de batalhões: determinou que o coronel Fábio de Souza deixasse a guarda de Beltrame e reassumisse o Choque.

À época, a Corregedoria Interna da PM já havia instaurado inquérito em que constava a troca de mensagens em um grupo de WhatsApp. "É a vontade do Führer", escreveu um dos comandados sobre o coronel Souza, em clara referência ao ditador alemão Adolf Hitler. Em outras conversas, o oficial sugeria até tiros de fuzil contra manifestantes.

Nesta quinta-feira, durante sua primeira entrevista (que deveria ter acontecido logo na posse, quando "estourou" o escândalo, mas foi cancelada), Pinheiro Neto afirmou - tal como já havia feito Beltrame - que desconhecia o teor das mensagens. "Eu tomei conhecimento de que havia um inquérito para apurar disparos de armas de fogo contra um ex-comandante da unidade, e que o Fábio seria testemunha dentro dessa investigação. O conteúdo das conversas eu não pude receber uma vez que estava ainda fora da corporação", disse o novo comandante.

O inquérito citado por ele investigava uma tentativa de assassinato ao tenente-coronel Márcio Rocha, que assumiu o Choque quando Fábio foi afastado - pelo excesso de violência com manifestantes, em junho de 2013 - após sua primeira passagem pela unidade. 

Pinheiro Neto explicou por que reconduziu Fábio de Souza ao comando do Choque: segundo ele, após o coronel José Luís Castro assumir o comando geral da PM, em agosto de 2013, houve um processo de "desmonte" do Comando de Operações Especiais (COE), sob o qual estão batalhões como Choque e Bope. Após uma sequência de denúncias de corrupção, uma delas envolvendo o então comandante do COE, Beltrame "demitiu" José Luís Castro e colocou Pinheiro Neto em seu lugar.

"Como tivemos problemas nessa estrutura (do COE), precisava-se voltar à construção dos processos que havíamos deixado em agosto de 2013. O coronel Fábio é um oficial de extrema competência, e vinha desenvolvendo esse trabalho", afirmou Pinheiro Neto.

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