Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Obra em porto causa problemas a turistas

Quem chega de navio passa por trilhos de Veículo Leve sobre Trilhos; trecho fica pronto somente no fim de março de 2016

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2015 | 03h00

RIO - Passageiros que chegam ao Rio de navio para o réveillon e as férias de verão vêm se deparando com problemas ao desembarcar na Avenida Rodrigues Alves: a saída para pontos de táxis, vans e ônibus de turismo, entre os armazéns dois e três do porto, fica no meio do canteiro das obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), e eles têm dificuldade de transitar sobre os trilhos, que atrapalham também os cadeirantes. A poeira da obra é outro incômodo.

A situação não deve melhorar até o carnaval, quando o número de pessoas circulando por ali chegará ao recorde de 130 mil, segundo o Píer Mauá, empresa encarregada das operações portuárias. O trecho do VLT só deve ficar pronto no fim de março.

O contratempo já era previsto e placas foram colocadas sobre a areia da obra para a passagem até o outro lado da Rodrigues Alves, mas sem cobrir os trilhos. O assunto foi tratado em reuniões entre os órgãos envolvidos – Píer, secretarias de Turismo do Estado e do município e Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio (Cdurp) – para tentar minimizar o incômodo.

“Está muito tumultuado. Parece que não planejaram nada, que não sabiam que o navio ia chegar. Não há sinalização e temos de nos virar nesse sol escaldante”, reclamava a psicóloga Raquel Klang, de 64 anos, que chegou nesta quarta-feira, 30, ao transatlântico Costa Fascinosa. O navio, vindo de Buenos Aires com 5 mil pessoas, ficará fundeado no mar de Copacabana para assistir à queima e fogos deste quinta-feira, 31.

O Estado acompanhou o desembarque do navio e testemunhou o desconforto dos passageiros, na manhã desta quarta-feira. Uma senhora caiu no chão. Várias malas tombaram com o impacto com os trilhos. Um funcionário da Secretaria Estadual de Turismo teve de parar dois caminhões-betoneira para que os motoristas esperassem o escoamento de passageiros. 

Agentes de turismo queixavam-se também do galpão para onde os passageiros eram deslocados a fim de embarcar em vans e táxis, do outro lado da Rodrigues Alves. “Eu acho que só vai melhorar para a Olimpíada (em agosto). Até lá, vamos ficar aqui no calor, num lugar sujo, sem água nem banheiro. É assim que tratamos os turistas no Rio, porta de entrada do Brasil. Imagine no carnaval”, criticou o guia Jorge Pinto. Para janeiro, está prometido o embarque nos veículos do lado de dentro do terminal, o que dará mais comodidade a quem chega e a quem trabalha ali.

“A gente tenta ao máximo reduzir os impactos, mas os trilhos são um fato que não temos como mudar. Sabíamos que teríamos dificuldades. Estamos lidando com as obras do porto há cinco temporadas, e temos de pensar que na próxima teremos um bulevar maravilhoso aqui na frente”, disse o gerente de operações da Pier Mauá, Alexandre Gomes. Ele próprio ajudou alguns passageiros a levar os carrinhos de bagagem.

Alberto Silva, presidente da Cdurp, gestora das obras do Porto Maravilha, explicou que os trilhos não podem ser cobertos para facilitar a passagem dos turistas. Isso porque todos os dias são feitos testes com os bondes, de modo que o caminho precisa estar permanentemente livre. “A situação é transitória, inevitável, e contamos com a compreensão das pessoas”, disse Silva.

Ele lembrou que uma estação do VLT funcionará quase na frente do armazém dois, para servir a quem chegar de navio e quiser se deslocar para o centro ou para o Aeroporto Santos Dumont, por exemplo. “Ano passado, a gente estava demolindo o elevado da Perimetral, era pior. Para a Olimpíada, o Rio estará nas condições que merece para receber seus turistas.”

Movimento. A temporada marítima começou dia 15 de novembro e vai até 29 de abril de 2016, com 109 atracações – 28 de cruzeiros internacionais –, fluxo estimado em 565 mil pessoas e injeção de US$ 169 milhões (R$ 671 milhões) na economia do Rio, de acordo com dados da Associação Brasileira dos Operadores de Turismo Receptivo Internacional.

Neste ano, os navios são de maior porte, segundo o Píer Mauá. O movimento cresceu 15% em relação à última temporada. No dia 7 de fevereiro, domingo de carnaval, o porto espera um recorde: onze navios vão atracar na cidade. No carnaval de 2015, o trânsito de turistas significou a metade do que está sendo estimado para 2016.

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