Maira Motta/Estadão
Maira Motta/Estadão

Obras da estrada Paraty-Cunha podem ser suspensas

Via corta Parque Nacional da Serra da Bocaina; procuradora pediu fechamento imediato da pista para reduzir os impactos ambientais

Thaise Constâncio, O Estado de S. Paulo

12 de novembro de 2014 | 03h00

RIO - As obras da Paraty (RJ)-Cunha (SP) correm o risco de ser suspensas novamente. A estrada corta o Parque Nacional da Serra da Bocaina e, segundo a procuradora da República em Angra dos Reis Monique Cheker, “está sem controle”. Nesta terça-feira, 11, ela pediu à Justiça o fechamento imediato da pista entre 18h e 6h, na tentativa de reduzir os impactos ambientais.

Durante inspeção no dia 4, com o auxílio de técnicos da Universidade Estadual Paulista (Unesp), verificou-se que animais estão sendo atropelados na estrada.


A procuradora quer que o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apresentem, em juízo, relatórios mensais sobre os hábitos migratórios da espécies. “Os atropelamentos podem estar relacionados a questões migratórias. Se isso for constatado, vamos pedir que o parque feche nesses períodos.”

Para a procuradora, as obras de pavimentação não seguiram o curso original da estrada, como definido no decreto de construção de estradas-parque, causando “significativos impactos ambientais”.

A falta de fiscalização é outro problema encontrado na visita, que teve a participação de representantes da Justiça Federal, Departamento de Estradas de Rodagem do Rio (DER), Secretaria de Obras do Estado do Rio, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e prefeituras de Paraty e Cunha.

Segundo o ICMBio, quando a obra for concluída, serão colocados limitadores de velocidade (30 km/h) e pavimento intertravado com sonorizador para afastar os animais. Para Monique, a instalação deve ser imediata.

Em nota, o DER informou que as obras são feitas “de forma artesanal” e com cuidados que visam a “impedir impactos ambientais e/ou efetuar o rigoroso controle, tendo em vista a inserção do trecho rodoviário em área de Parque Nacional”.

Segundo o diretor executivo da Câmara Metropolitana de Integração Governamental e ex-subsecretário estadual de Obras, Vicente Loureiro, o decreto de construção de estradas-parque também estabelece a construção de “bichodutos” (passagens subterrâneas e aéreas para os animais) e instalação de sistema de drenagem.

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