Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Prefeitura volta à Vila Kennedy para ação comunitária; general não comenta assassinato de Marielle

Crivella foi à zona oeste participar de ação comunitária em que entregou tendas provisórias para os vendedores da região. Braga Netto não deu declarações no local

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

17 Março 2018 | 12h49
Atualizado 17 Março 2018 | 17h20

RIO - Oito dias após destruir 46 quiosques de ambulantes que não tinham licença para atuar na Praça Miami, a principal da Vila Kennedy, na zona oeste do Rio, a prefeitura entregou, durante uma ação comunitária neste sábado, 17, tendas provisórias e licenças definitivas para que esses vendedores voltem a trabalhar. O evento contou com a presença do general Walter Braga Netto, interventor da segurança fluminense, que não deu declarações à imprensa e não comentou os assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, na quarta-feira passada.

+ Prefeitura do Rio promete reconstruir feira na Vila Kennedy

Neste sábado, em uma parceria entre a prefeitura, o governo estadual e o Gabinete de Intervenção Federal, foi realizada uma ação comunitária na Escola Municipal Marechal Alcides Etchegoyen que ofereceu serviços como emissão de documentos, orientação jurídica, assistência médica e odontológica, vacinação e atividades recreativas aos moradores da Vila Kennedy.

A ação de destruição dos quiosques da sexta-feira, 9, realizada pela Secretaria Municipal de Ordem Pública com auxílio de vários órgãos municipais e da Polícia Militar, foi criticada horas depois pelo próprio prefeito Marcelo Crivella (PRB), que chegou a determinar o afastamento de funcionários municipais responsáveis por essa operação.

+ Alvo dos militares, Vila Kennedy expõe desafio na segurança no Rio

Durante o evento deste sábado, do qual participou o interventor, general Walter Braga Netto, o prefeito Crivella anunciou um projeto de revitalização da Praça Miami. A prefeitura planeja construir 46 novos quiosques que se juntarão aos quatro não destruídos na operação do dia 9, porque seus donos já tinham autorização para trabalhar.

As novas estruturas devem ficar prontas em um mês, já que a empresa contratada tem capacidade para construir 12 por semana. Até que os novos quiosques sejam entregues, os ambulantes poderão trabalhar em tendas cedidas pela prefeitura.

+ Grupo assalta igreja na Vila Kennedy, no Rio, após saída das tropas militares

Improviso. "Eu já tinha comprado uma tenda, que acabou não dando certo, mas emprestei outra de um amigo e voltei a trabalhar na segunda-feira (dia 12). O problema é que estamos sem luz e água, então não consigo trabalhar o dia todo, como fazia antes", conta o ambulante Leonardo Damasceno, de 35 anos, que vende lanches e bebidas há 15 anos nesse local.

"Meu quiosque foi o primeiro nessa praça, e sempre tentei obter a licença. Às vésperas de eleição, já nos prometeram, mas nunca cumpriram", disse o vendedor, que divide as tarefas com a mulher. "Finalmente, agora vamos poder trabalhar em paz, com a situação regularizada", comemora.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.