Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Ondas levam parte de calçadão de praia no Rio

Quiosques e ciclovia foram atingidos pelo mar e moradores temem tragédia; prefeitura anunciou obras emergenciais

Mariana Durão e Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

15 Outubro 2017 | 17h09

RIO - Quiosques engolidos pela terra, calçadão e ciclovia dissolvidos pelo mar, medo de novos desmoronamentos. Esse era o cenário neste domingo, 15, na Praia da Macumba, na zona oeste do Rio, onde há cerca de um mês a orla tem sido dissolvida e levada pelas ondas. Assustados, moradores temem uma tragédia, enquanto esperam providências do município. Em nota, a prefeitura anunciou obras emergenciais para estancar a erosão.

Até agora, a Defesa Civil Municipal apenas interditou parte da área atingida com faixas. Elas não impedem que curiosos passem para ver de perto as partes do calçadão que afundaram. A destruição é fruto dos ventos que sopram nas direções sudeste e leste que, em 2017, ocorrem por mais tempo e com maior intensidade. A força do mar deslocou a areia, escavando a base da pista, o que causou o  desmoronamento.

+++ Policial militar é ferido em tiroteio após criminosos furarem blitz na zona norte do Rio

Na manhã deste domingo chuvoso no Rio, as ondas batiam com força nos escombros do calçadão destruido. Apesar da chuva e das faixas da Defesa Civil, a orla da Macumba parecia um ponto turístico lotado. Um dos pontos que mais chamavam a atenção era o local onde ficavam os quiosques Point dos Amigos e Sabor das Ondas. Agora só é possível ver dois telhados nas cores azul e vermelha As estruturas afundaram em uma cratera que se abriu no calçadão na última sexta-feira, 13.

“Pedimos para tirarem os quiosques (do buraco), mas nada foi feito”, disse Carlos Roberto Batista, dono de um dos bares, que estima um prejuízo imediato de R$ 20 mil. Ele contou que perdeu todo o estoque que fizera para o feriado.

+++ Homem é ferido após confronto no Complexo do Alemão

Moradora do Condomínio Sobre as Ondas, na orla da Macumba, Cristiane Fernandes de Souza preferiu deixar o apartamento onde morava com a mãe, de 66 anos. Ela é uma das líderes do movimento dos moradores em busca de uma solução para o caso. Segundo ela, autoridades municipais prometeram uma solução – entre eles o secretário municipal de Conservação e Meio Ambiente, Jorge Felippe Neto – prometeram um estudo para o conserto.

+++ Chuva adia evento de relançamento da campanha Natal Sem Fome

“Deixamos claro que precisamos que liberem verba para uma obra emergencial de contenção”, contou Cristiane.

+++ Dois tiroteios e explosão de granada assustam moradores da Rocinha

Debora Ferreira, que mora na Macumba há 27 anos, está desde ontem sem acesso direto à sua casa, na orla. A calçada em frente ruiu. Ela, a irmã, o cunhado, a mãe e duas crianças de três e 13 anos estão contando com a boa vontade de vizinhos para chegar em casa, passando pelo prédio ao lado.

“É difícil acreditar que órgãos com tanto poder não tenham verba”, criticou.

Síndico do condomínio Villagio Acqua Fina, Piero Carbone estima que cerca de 100 famílias vivam em prédios da orla da Macumba. “Nossa preocupação é com a segurança dos condôminos. Esse problema começou há 30 dias, diversas autoridades vieram aqui e nada fizeram. Queremos que façam uma obra para conter o avanço do mar e eliminar o risco para os prédios”, disse.

Prefeitura. Moradores da Macumba estudam entrar com uma ação civil pública contra o município por meio da Associação Nacional de Assistência ao Consumidor (Anacont). A ideia é pedir uma liminar determinando o início das obras de contenção e a reparação de futuros danos causados pelos desmoronamentos. 

A reconstrução do calçadão da Praia da Macumba é prioridade, segundo o secretário Felippe Neto, que assumiu a pasta na terça-feira passada, 10. O órgão ainda aguarda liberação orçamentária para que as obras de contenção comecem. Segundo a Prefeitura, a verba deve ser liberada nesta segunda-feira, em caráter emergencial, para que o canteiro de obras seja montado e os trabalhos sejam iniciados.

De acordo com a Secretaria de Conservação, um estudo encomendado à Coppe/UFRJ (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro) entregue no último dia 2 apontou que já havia necessidade de executar o reforço estrutural do muro desde 2005.

“Inicialmente a solução escolhida seria o estaqueamento do calçadão, contudo, com o avanço da erosão observado ontem (anteontem, 13), técnicos da prefeitura se reuniram novamente hoje (ontem, 14), e a solução de engenharia para conter a ação de erosão do mar teve que ser alterada: serão colocadas entroncamento sintético (bolsas preenchidas de concreto) na frente e atrás do muro em questão, protegendo, assim, as construções que estão no raio monitorado pela Defesa Civil do município e garantindo celeridade à contenção”, informou a secretaria, em nota.

Em nota divulgada pela Secretaria Municipal de Ordem Pública do Rio de Janeiro no fim da tarde deste domingo (15), a Subsecretaria de Defesa Civil informou que "segue monitorando a situação da Praia da Macumba" e "está de prontidão atendendo aos chamados de moradores e realizando visitas periódicas, inclusive durante a madrugada, aos pontos de interdição no calçadão e ciclovia". Segundo a pasta, "não foram constatados sinais de risco de colapso estrutural iminente em edificações vistoriadas na Estrada do Pontal e Avenida Paulo Tapajós".

A nota continua, afirmando que a Guarda Municipal "também segue atuando 24 horas nas áreas isoladas com agentes da 4ª Inspetoria (Barra da Tijuca) e do 2º Grupamento Especial de Praia". A instituição pode ser acionada a qualquer hora pelo 199 (ligação gratuita). 

Antes das vistorias feitas durante este fim de semana, a Defesa Civil informou que esteve no local nos dias 17, 18 e 30 de setembro e na última quarta-feira (11), para "verificar os danos, interditar e isolar as áreas com riscos (nesse caso trechos do calçadão, incluindo os dois quiosques que posteriormente sofreram afundamento) e acionar os órgãos responsáveis pelas obras de reparação: a Rio-Águas, a Fundação Geo-Rio e a Secretaria Municipal de Conservação e Meio Ambiente, que participou da vistoria do último dia 11".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.