ONG vai ajudar vítimas de violência a processar o Estado

Um advogado do Rio de Paz já pediu a prisão preventiva de dois PMs acusados da morte de um jovem de 19 anos

Márcia Vieira, de O Estado de S. Paulo,

14 de julho de 2008 | 19h06

A ONG Rio de Paz, que há um ano faz protestos pacíficos contra a violência na cidade, como colocar 700 cruzes negras na Praia de Copacabana, partiu para o ataque. Antônio Carlos Costa, diretor-executivo da ONG, vai oferecer assessoria jurídica para que as famílias de vítimas de violência na cidade processem o governo do Estado.   "Vai ser uma enxurrada de ações judiciais, principalmente nestes casos em que as vítimas foram mortas por policiais", acredita Costa. É o caso do menino João Roberto, de três anos, morto no dia 6 quando o carro em que estava com a mãe foi alvo de 17 tiros disparados por dois PMs.   O programa será coordenado por Elizabeth Sussekind, ex-secretária nacional de Justiça no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. A princípio, o serviço vai atender 50 famílias. "Quando a morte de um brasileiro, seja ela provocada pela polícia ou pela falta de segurança, mexer com os cofres públicos, o governo vai mudar a política de segurança pública. A indenização é uma forma de fazer justiça."   A assessoria jurídica começou a funcionar nesta segunda-feira, 14. Um advogado do Rio de Paz pediu a prisão preventiva de dois PMs acusados de terem executado William de Souza Marins, de 19 anos, morador da favela conhecida como Comunidade 48, em Bangu, na zona oeste, há dois meses. William foi baleado na perna durante uma ação da PM na favela e, segundo testemunhas, foi espancado e executado pelos dois policiais, que o confundiram com traficante. "Já pedimos a prisão destes marginais fardados e vamos entrar com o pedido de indenização contra o governo estadual. O dinheiro não vai reparar a dor da família, mas vai doer no bolso do Estado e mudar esta política da polícia de atirar primeiro e depois olhar a identidade da vítima."   Além do apoio jurídico, a ONG vai oferecer também suporte psicológico. "A tragédia deixa estas famílias dilaceradas. Eles precisam ser ouvidas e aprenderem que muito embora a dor fique ali, elas podem retomar o sentido da própria existência." Psicólogos e advogados vão trabalhar de graça para as famílias atendidas pela ONG. "Estas mortes despertam nos cariocas a vontade de ajudar. Pela quantidade de voluntários que já apareceram, teremos um verdadeiro exército do bem e da paz." A expectativa de Antônio Carlos Costa é que os dois serviços estejam funcionando a pleno vapor até o final do mês.

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