Operação da Polícia em Vigário Geral deixa 5 mortos

Segundo policiais, os mortos seriam bandidos que morreram em confronto

Pedro Dantas, do Estadão,

14 de agosto de 2007 | 12h25

Cinco homens foram mortos nesta terça-feira, 14, em uma operação da Polícia Civil na favela de Vigário Geral, na zona norte do Rio. O chefe de Polícia Civil, Gilberto Ribeiro, afirmou que todos morreram em confrontos com a polícia. O único corpo identificado até as 20 horas foi o do adolescente Jefferson Soares de Araújo, de 17 anos. Nove homens foram presos, sendo dois deles menores. Foram apreendidos um fuzil, oito pistolas, três revólveres, seis granadas e 500 trouxinhas de maconha e 500 papelotes de cocaína.   De acordo com moradores e policiais, o pior confronto ocorreu em uma casa ocupada por traficantes na Rua José Paulino. Por volta de 9h15, quatro homens armados foram cercados pelos policiais e resistiram a tiros. Todos chegaram mortos ao hospital. O quinto homem morreu ao enfrentar os agentes na divisa entre as favelas de Vigário Geral e Parada de Lucas. "Estes mortos são resultado da resistência da criminalidade, Se não resistem, prendemos. Quando resistem, as mortes acontecem", declarou Ribeiro.   Apesar da polícia divulgar que não houve feridos, a Secretaria de Saúde do Estado confirmou que Luciana dos Anjos Pereira, de 18 anos, deu entrada no Hospital Getúlio Vargas após ser atingida na favela por estilhaços de um explosivo na perna esquerda. Ela não corre risco de morte.   A operação reuniu 150 agentes da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas e Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense com apoio de policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), unidade de elite da Polícia Civil.   Os policiais se reuniram por volta de 8 horas e entraram na favela meia hora depois. Eles tinham uma lista de 20 endereços residenciais e comerciais que seriam esconderijos de drogas e armas. Cinco denúncias foram confirmadas, entre elas a de que um fuzil Ruger calibre 556 estava em uma casa próxima ao depósito da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb).   Entre os presos, Orozimbo Dias Pereira Filho, o Smith, de 51 anos, chamava a atenção pela idade e a agitação. Ao ser apresentado aos jornalistas, ele ria e dizia que com "uma rajada mataria todo mundo". A polícia informou que ele foi preso com uma pistola, trouxinhas de maconha e era antigo no tráfico. Um dos presos apresentados foi Diogo Alberto dos Santos, o Ás, 24, apontado como um dos principais traficantes locais. Ele alegou inocência, mas confirmou que já foi preso por roubo e corrupção ativa.   Denúncias   Ao contrário das maiorias das operações , a ação em Vigário Geral foi facilitada por várias denúncias dos moradores. O motivo é a antipatia deles pelos traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP) de Parada de Lucas que invadiram a favela em junho, tomaram as bocas-de-fumo do Comando Vermelho (CV) e expulsaram vários moradores parentes e amigos dos traficantes rivais das suas casas.   "Os moradores estão revoltados com os bandidos. Encontramos muitas casas vazias de pessoas que foram expulsas. Isso facilita o trabalho da polícia. A própria comunidade acaba denunciando eles. Logo, quanto mais fragmentado eles (os traficantes) estiverem, melhor", disse um delegado.   Esta não é a primeira vez que traficantes de Paradas de Lucas tomam o controle de Vigário Geral. Em 2004, cerca de 100 moradores foram expulsos e se abrigaram em uma creche na Favela do Dique, no Jardim América (zona norte). "Agora, vimos novamente várias famílias ligadas aos traficantes expulsos pedindo comida pela comunidade", revelou um morador.   A rivalidade entre as duas favelas é antiga. A divisa entre as comunidades é uma linha imaginária determinada pelos traficantes. Ninguém da Associação de Moradores de Vigário Geral foi localizado para comentar o assunto. O coordenador do Grupo Cultural Afroreggae, José Júnior, informou que estava em São Paulo e não comentaria a ação policial.   Ao contrário da fracassada operação da Rocinha, realizada no dia 2, para localizar o paiol de drogas e armas da favela em que houve vazamento de informações por um inspetor da Polícia Civil, a ação em Vigário Geral foi cercada por sigilo. "Tomamos os mesmos cuidados de sempre", disse o chefe de Polícia Civil. No entanto, policiais envolvidos na operação disseram que os delegados que participaram foram mais rígidos ao pedir sigilo aos agentes.   Matéria ampliada às 20h16

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