Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Operação das Forças Armadas deixa quase 2.500 alunos da rede pública sem aulas na Rocinha

Moradores da Rocinha relataram que voltaram a escutar tiros, nesta terça-feira; por volta das 11 horas, disparos foram ouvidos de longe

Constança Rezende/ Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2017 | 12h30

RIO - Por conta da operação das Forças Armadas e da Polícia Militar na manhã desta terça-feira, 10, oito unidades de ensino municipal da Favela da Rocinha, na zona sul do Rio, não funcionaram. 

De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, ao todo 2.489 alunos ficaram sem aulas. Cinco escolas, duas creches, e um Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) não abriram.

Moradores da Rocinha relataram que voltaram a escutar tiros, nesta terça-feira. Por volta das 11 horas, disparos foram ouvidos de longe. 

+++ Uma semana depois da saída das Forças Armadas, tiroteio deixa dois mortos e uma ferida na Rocinha

O porta-voz do Comando Militar do Leste (CML), coronel Roberto Itamar, disse que a ação das Forças Armadas nesta terça-feira será "pontual". Os 550 militares estão atuando em apoio a 550 policiais militares que realizam buscas por traficantes em regiões de mata da Rocinha, por armamentos e drogas. Os militares chegaram na região por volta das 5h40. A PM montou 29 pontos de bloqueio.

"A ação será pontual, com um foco, que é atuar no apoio dos policiais em vasculhamentos pela mata da favela. Estes pontos foram mapeados pelo setor de inteligência da Secretaria de Segurança. A operação deve se encerrar hoje mesmo, já que não dá para fazer este tipo de busca de noite", disse o coronel.

De acordo com a Secretaria de Estado de Segurança, a varredura na mata também atinge o entorno da comunidade da Rocinha, como São Conrado.

A ajuda do Exército foi solicitada após a volta de registros de intensos tiroteios na região. Nesta segunda-feira, 9, dois homens foram encontrados mortos na parte alta da favela. Os corpos, que não foram identificados, tinham vários ferimentos na cabeça.

Nesta segunda-feira, a Polícia Civil também prendeu o traficante Adailton Soares, que seria um dos seguranças de Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, "chefe" do tráfico na região, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. 

Ele passou a noite na delegacia da Rocinha, prestou depoimento e nesta manhã foi transferido para o sistema penitenciário. O conteúdo do depoimento não foi informado pelos investigadores, de modo a não atrapalhar as investigações. 

O capitão Maicon Pereira, um dos porta-vozes da PM, garantiu que apesar de Rogério continuar solto, a ocupação, iniciada no dia 18 de setembro, depois que Rocinha foi invadida por traficantes rivais, está avançando. 

"A operação é contínua, para restabelecer a paz na comunidade. A cada dia apreendemos uma arma, ou mais. São mais de 18 fuzis e 10 presos. A área de mata é muito vasta. Essa é uma das maiores favelas do Rio." 

Denúncias. Diante dos relatos de moradores de que basta a saída dos policiais das ruas para os traficantes voltarem, o capitão clamou: "É importante frisar que as pessoas devem denunciar pelo 190 ou o Disque-Denúncia. Dependemos dessas informações. A operação está dando resultados". 

Os moradores contam que têm medo de denunciar porque se sentem monitorados pelos bandidos. "A gente sabe quem manda. O melhor a fazer é tentar tocar a vida e não se meter nem com bandido nem com polícia", disse um vendedor  ouvido pela reportagem. 

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