Operação do Bope na Vila Cruzeiro é marcado por tiroteio

Mulher fica ferida e pacientes de tenda de hidratação ficam aterrorizados; munições são apreendidas

Pedro Dantas, de O Estado de S.Paulo,

16 de abril de 2008 | 19h17

O segundo dia de operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) nesta quarta-feira, 16, na Vila Cruzeiro, na Penha, zona norte do Rio, foi marcado por um intenso tiroteio, que deixou uma mulher ferida e aterrorizou os pacientes da tenda de hidratação montada pelo governo do Estado para vítimas da dengue, ao lado do Hospital Getúlio Vargas (HGV), no mesmo bairro.  O confronto ocorreu no Morro da Chatuba, vizinho à Vila Cruzeiro, onde policiais do Bope apreenderam farta munição para metralhadora .50. A ação policial na parte alta do morro era para viabilizar a retirada de um ônibus usado como barricada pelos traficantes para impedir a passagem da polícia pela rua José Rucas, na Favela de Merindiba. "Meu filho estava no soro, quando começaram os tiros. Me joguei com ele no chão e o protegi com o corpo. Fiquei nessa posição por vinte minutos, até cessarem os disparos", contou Cosme Martins dos Reis, presidente da Associação dos Funcionários do HGV. Ele levou o filho ainda com soro nas veias para dentro do hospital.  "Exigi um atendimento com segurança. Será que só vão perceber que a tenda está mal posicionada, de frente para a favela, quando morrer alguém?", questionou Reis. Bombeiros e enfermeiros que atuam na tenda ameaçaram suspender as atividades, caso a situação de perigo de balas perdidas continue.  O comandante do 28º Grupamento de Bombeiros da Penha, tenente-coronel Sergio Ângelo da Rocha, confirmou que houve pânico e que levou os pacientes para um local da tenda ao lado de um muro, onde "eles ficaram protegidos dos disparos". A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde informou que nenhum tiro atingiu a tenda. Os três pacientes que passaram mal, com picos de pressão alta, inclusive uma tenente do Corpo de Bombeiros, foram atendidos no HGV.  Apesar do intenso tiroteio, que começou por volta das 14 horas e durou 40 minutos, a única vítima que deu entrada no HGV, foi Ruth do Nascimento, de 54 anos. Ela foi atingida dentro de casa, por uma bala perdida no abdômen, na Rua Maragogi, próxima ao Morro da Chatuba.  Nesta quarta, na Vila Cruzeiro, onde nove criminosos morreram na terça-feira, em confronto com a polícia, o cenário era caótico. " Ficamos sem luz até a meia-noite de anteontem (terça), continuamos sem telefone e o comércio está fechado dentro da comunidade. Muitas mães não foram trabalhar porque as escolas não funcionaram e não tiveram com quem deixar as crianças", disse o líder comunitário Edmundo Santos Oliveira.  Dos sete feridos na terça-feira, quatro permanecem internados no HGV, sem correr risco de morte. Entre eles, está o menino Daniel Assunção Souza Cardoso, 14, que passou por uma cirurgia no pé direito após ser atingido por uma bala perdida. Os 14 presos na mesma operação permanecem detidos e responderão por associação ao tráfico. Eles estão sendo investigados por participação em outros crimes.

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