Operação em favela no Rio deixa seis mortos

As vítimas tinham idades entre 18 e 25 anos; segundo a polícia, todos eram criminosos

Alexandre Rodrigues, do Estadão,

23 Agosto 2007 | 17h25

Seis homens morreram durante troca de tiros com a polícia na Favela do Muquiço, em Deodoro, na zona oeste da cidade. O tiroteio começou por volta das 13h30, quando PMs do Batalhão de Rocha Miranda patrulhavam a favela. De acordo com o setor de Relações Públicas da corporação, os criminosos dispararam contra os policiais, iniciando o confronto.   Ainda segundo a polícia, as vítimas foram socorridas pelos PMs e levadas para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, onde chegaram mortas. Os homens não tinham carteira de identidade e não haviam sido reconhecidos até as 18h30. Com o grupo foram apreendidos uma metralhadora, três pistolas, três revólveres, além de três quilos de maconha e um de cocaína. O material foi levado para a 28.ª Delegacia de Polícia (Campinho).   No Morro da Mangueira, na zona norte, um tiroteio entre policiais e traficantes levou pânico a mães, professores e crianças de uma creche no interior da favela. Policiais militares do batalhão de São Cristóvão (4º BPM) fizeram uma incursão para reprimir o tráfico de drogas com a ajuda de um carro blindado, o caveirão, do batalhão da Maré (22º BPM). O veículo acabou se tornando alvo dos traficantes bem em frente à creche, que atende a cerca de 200 crianças da comunidade. Apesar do susto, ninguém ficou ferido.   O tiroteio começou por volta das 11h30, quando parte das crianças de creche estava almoçando. "Como a polícia pode posicionarum caveirão na porta de uma creche berçário? Ela ficou no fogo cruzado, o telhado ficou todo furado. É evidente que o caveirão atrairia as balas do tráfico. Só não morreu ninguém por Deus", contou José Roque, presidente da associação de moradores da Mangueira.   "Os tiros que entraram na creche atingiram a sala onde os maiores estavam comendo. As crianças tiveram de largar os pratos e se jogar no chão, umas em cima das outras. Algumas se machucaram. Dá uma desilusão ver as mães nervosas e as crianças chorando sem nem saber o motivo. Não somos contra o trabalho da polícia, mas operações desse jeito só prejudicam quem é trabalha".   Segundo Roque, pelo menos duas professoras da creche e duas mães foram levadas por ele para um hospital próximo com crise nervosa. A operação policial foi encerrada às 12h30. Ninguém foi preso. Os policiais militares apreenderam nove quilos de maconha, que disseram ter encontrado num terreno baldio.   Segundo o serviço reservado do batalhão, a ação foi planejada dentro de uma série de medidas de repressão ao tráfico de drogas local, dominado pelo Comando Vermelho. Já o setor de relações públicas da PM atribuiu a operação a uma denúncia recebida pelo batalhão de que moradores estavam sendo torturados no alto do morro. Por isso, o deslocamento dos policiais teria sido rápido e sem planejamento. Ainda segundo a PM, não haverá qualquer apuração sobre o posicionamento do caveirão próximo à creche porque este seria um local estratégico escolhido pelos policiais.   Matéria ampliada às 19h39

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