Menino de 13 anos e quatro homens morrem após operação policial no Rio

Morro do Dezoito, um dos mais violentos da região norte, já foi alvo de disputa entre traficantes e milicianos; hoje, a favela é dominada pela facção Amigos dos Amigos (ADA)

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

03 Setembro 2016 | 13h11

​Operação policial no Morro do Dezoito, em Água Santa, na zona norte do Rio de Janeiro, deixou cinco mortos, entre eles um menino de 13 anos e um adolescente de 16, na tarde de sexta-feira, 2.

De acordo com a Polícia Militar, houve troca de tiros entre policiais do 3º Batalhão e um grupo de traficantes. Após o confronto, os policiais encontraram os cinco caídos num terreno, “cada um com uma pistola e uma mochila contendo material entorpecente”. Outros conseguiram fugir.

Sidnei Fermarine Contelo, de 13 anos, Cesar Correa Ventura, de 16, Luiz Fernando dos Santos Bezerra, de 18, Jean Pablo dos Santos Góes, de 21, e Claudio Rosa dos Santos, de 33, foram levados para o Hospital Municipal Salgado Filho, onde morreram.

Nenhum policial foi ferido. De acordo com a PM, foram apreendidos três pistolas ponto 40, duas pistolas 9 milímetros e dois radiotransmissores, além de drogas. A quantidade de entorpecentes apreendida pela polícia não foi informada.

O caso será investigado pela Divisão de Homicídios. De acordo com  assessoria de imprensa da Polícia Civil, foi realizada perícia no local do crime. A polícia não informou se alguma das vítimas tinha antecedentes criminais. 

A Polícia Militar informou que o patrulhamento foi reforçado no Morro do Dezoito, mas não houve manifestações de moradores até a tarde deste sábado, 3.

O Morro do Dezoito, um dos mais violentos da zona norte, já foi alvo de disputa entre traficantes e milicianos. Hoje, a favela é dominada pela facção Amigos dos Amigos (ADA).

Em dezembro de 2015, o advogado Roberto Viegas Rodrigues, de 26 anos, foi assassinado por criminosos do local por não ter conseguido libertar da prisão dois traficantes. Investigação da Delegacia de Descoberta de Paradeiros, encerrada em maio passado, aponta que o advogado já havia recebido o pagamento pelos serviços e foi chamado à favela para se explicar ao chefe do tráfico, Jean Carlos Nascimento dos Santos, de 25 anos, conhecido como Di Menor.

Santos foi indiciado pelo homicídio e ocultamento de cadáver do advogado. Contra ele há pelo menos 17 mandados de prisão, dos quais seis por homicídio. O Disque-Denúncia oferece R$ 1 mil de recompensa por informações sobre o criminoso.

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