Polícia Civil
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Quadrilha de milicianos é presa em operação na Baixada Fluminense

Quatro policiais militares estão entre os detidos em Mesquita; grupo extorquia comerciantes e moradores

Fábio Grellet e Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

14 Março 2018 | 11h02
Atualizado 14 Março 2018 | 18h37

RIO - Nove pessoas, sendo quatro policiais militares, foram presas nesta quarta-feira, 14, acusadas de integrar um grupo de milicianos em Mesquita, na Baixada Fluminense. Segundo a Polícia Civil, há pelo menos dez meses os criminosos extorquiam comerciantes e moradores cobrando uma taxa de segurança e oferecendo serviços clandestinos de TV a cabo, venda de água, gás e exploração de transporte clandestino, entre outros. Um comerciante que se recusou a pagar a taxa foi alvo de uma emboscada na qual um amigo dele acabou morto a tiros.

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A operação foi realizada por policiais civis da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e de Inquéritos Especiais (DRACO/IE), com apoio da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) e de outros órgãos públicos estaduais e federais.

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Nove pessoas investigadas pelos crimes de extorsão e constituição de milícia privada eram alvo de ordens de prisão, das quais sete foram localizadas e presas: os policiais militares Natanael de Oliveira Gonçalves (que atuava no 39º Batalhão, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense); Márcio Lima da Cunha, o "Zebu"; André Lemos da Silva e Tiago Costa Gomes (todos do 20º Batalhão da PM, em Mesquita); o ex- policial militar Paulo José Lírio Salviano e Daniel Alex Soares da Silva, o "Escobar"; e Marcos Paulo Bento de Souza.

Até as 17h30 desta quarta-feira estavam foragidos Renato de Castro de Oliveira e André Silva Nicodemus, o "Geladeira". Durante as buscas, Fábio Santos Pinheiro e Rafael Rodrigues Freitas foram presos em flagrante por agentes da DHBF com uma pistola 9 mm. 

Durante a ação também foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão. Os policiais apreenderam quatro armas de fogo, diversas anotações e planilhas de cobrança, cerca de R$ 10 mil em espécie e um aparelho bloqueador de sinal utilizado em roubo de cargas para bloquear o rastreamento de caminhões.

As investigações começaram a partir da denúncia de um policial militar que é dono de duas lojas em Mesquita e foi vítima dos milicianos. Ele esteve na DRACO/IE e relatou que há cerca de dez meses um grupo de milicianos passou a praticar extorsões sob o pretexto de oferecer uma "suposta segurança". A vítima contou que passou a sofrer cobranças e que o grupo impôs o pagamento de uma taxa de R$ 1.000 semanais para as duas lojas que ele possui.

O líder das ações foi identificado como o PM Márcio Lima Cunha, o "Zebu". Ao se recusar a pagar a taxa de segurança, a vítima sofreu uma emboscada praticada por integrantes do grupo liderado por Zebu. Salviano ligou para o comerciante e marcou uma reunião, supostamente para negociar a cobrança da taxa. O comerciante foi a esse encontro, acompanhado por um amigo, e desconhecidos atiraram várias vezes contra o carro em que estavam. O amigo do comerciante morreu. A DHBF abriu inquérito para investigar o homicídio.

De acordo com o delegado Alexandre Herdy, da DRACO/IE, os milicianos são investigados por explorar vários serviços. "Além de cobrar pela taxa de segurança a residências e comerciantes, as investigações apontaram que havia a distribuição de sinal clandestino de TV a cabo, venda de água e de gás, exploração de transporte alternativo, liberação de vias para shows musicais, cestas básicas, empréstimos de dinheiro a juros e serviços de mototáxi", contou o delegado.

Por meio do Twitter da Secretaria Estadual de Segurança (Seseg), o secretário da pasta, Richard Nunes, afirmou que "o combate aos grupos de milicianos é fundamental". "É necessário manter a repressão contra estas quadrilhas com ações pontuais e a captura de lideranças. O crime não pode compensar."

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