FABIO MOTTA/ESTADÃO
FABIO MOTTA/ESTADÃO

Carnaval não pode ser manifestação espontânea, diz diretor da CET do Rio

'Desfiles de blocos equivalem a uma miniolimpíada', afirma Joaquim Diniz, comandante de Operações da Companhia de Engenharia de Trânsito da cidade

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2017 | 03h00
Atualizado 21 Fevereiro 2017 | 10h36

RIO - Carnaval de rua não pode ser manifestação espontânea. A afirmação é do diretor de Operações da Companhia de Engenharia de Trânsito do Rio (CET-RIO), Joaquim Diniz, que desde 2009 coordena o esquema de tráfego do carnaval carioca.

"Parece uma contradição com o espírito da festa", reconhece. "Mas os desfiles de blocos equivalem a uma miniolimpíada. São várias interdições simultâneas, em diferentes pontos da cidade. Se não colocar algum nível de organização, perde-se o controle", ensina.

De acordo com Diniz, a organização começa no ano anterior. "A Riotur (empresa de turismo do Rio) faz inúmeras reuniões com representantes de blocos e órgãos da prefeitura. Trajetos, horários de interdições são previamente ajustados com os blocos. Nem sempre o trajeto é o que o bloco quer. Mas é preciso negociar", afirma Diniz.

Ele cita como exemplo o Bloco da Preta, comandado pela cantora Preta Gil. É o maior desfile da temporada pré-carnavalesca - neste domingo, 19, atraiu 500 mil foliões, 200 mil a mais do que em 2016. "Até o ano passado, o Bloco da Preta saía na Avenida Presidente Vargas. Mas a via teve suas características modificadas, agora ela é atravessada pelo VLT. Não tinha mais condições de receber o Bloco da Preta. Transferimos para a Avenida Primeiro de Março e não houve nenhum impacto no trânsito", diz.

O Sargento Pimenta mudou até de bairro. O bloco, que toca Beatles em ritmo de samba, surgiu em Botafogo, na zona sul. Cresceu demais, afirma Diniz. "As vias de Botafogo já não comportavam tanta gente. Foi transferido para o Aterro do Flamengo. E ali mesmo já tivemos que modificar a posição do palco no aterro".

As equipes da CET-Rio bloqueiam o estacionamento nas vias em que os blocos passam e também nas ruas de acesso. Há interdições do trânsito pré-estabelecidas, no caso dos blocos que concentram, mas não desfilam. E há interdições móveis, que avançam de acordo com o desenrolar do cortejo.

"O grande desafio é comunicar tudo isso à população. Os avisos começam a ser colocados uma semana antes do bloco, para que a pessoa comece a estudar uma rota diferente", explica Diniz.

Limpeza. No último fim de semana, enquanto um milhão de pessoas se divertiam em 115 blocos espalhados pela cidade, outro desfile simultâneo ocorria: 1.100 garis acompanhavam os cortejos, por dia. O esquema faz parte de estratégia adotada pela Companhia de Limpeza Urbana para entregar as ruas limpas poucas horas depois da passagem do bloco. Entre sexta e domingo passados, foram removidas 61 toneladas de lixo após a passagem dos blocos.

O Chora, Me Liga, que reuniu 200 mil pessoas na orla de Copacabana ao som de ritmos sertanejos, foi o campeão de recolhimento de lixo, com 9,4 toneladas recolhidas. Já os garis que atuaram no Bloco da Preta, atrás de 500 mil foliões, tiveram menos trabalho. Foram retiradas da Avenida Primeira de Março, no centro, 7,9 toneladas de resíduos. Com a saída dos foliões é realizada a remoção do lixo com sopradores. Depois, os garis fazem a lavagem das pistas com água de reúso e desodorizante.

O Rio tem ainda leis que punem quem joga lixo no chão (R$ 200) e quem urina na rua (R$ 548). No fim de semana, 244 foliões foram multados por descarte irregular e 306 por urinarem na via pública.

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