PAC vai causar conflitos no Alemão, diz Sérgio Cabral

Secretário de Segurança Pública,diz que faltam apenas 'acertos logísticos' para uma mega operação policial

Pedro Dantas, de O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2008 | 20h24

O governador Sérgio Cabral Filho confirmou nesta quinta-feira, 14, que a polícia partirá para o confronto contra traficantes e ocupará Complexo do Alemão, na Zona Norte, para o início das obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) no conjunto de favelas, marcado para o dia 27. "Por que uma obra em Copacabana, no Méier ou em Campo Grande não tem problema? Por que há um poder paralelo que domina esta comunidade? Nós vamos enfrentá-los", afirmou o governador. O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, disse que faltam apenas "acertos logísticos" para uma mega operação policial no conjunto de favelas.   Veja Também:    Moradores do Alemão fazem fila para cadastramento no PAC   "A operação está pronta. Já mostrei à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e ao governador. O que nos falta é a Senasp fornecer os equipamentos, que já foram garantidos pelo Ministério da Justiça", declarou Beltrame. Ele e Cabral participaram da apresentação de 632 novas viaturas terceirizadas para a Polícia Militar.     O secretário confirmou que espera o envio de mais 600 homens Força Nacional de Segurança para dobrar o efetivo da tropa que ocupa os acessos do conjunto de favelas, mas disse que caso o reforço não chegue a tempo "buscará outra alternativa" e pode trazer homens de outros batalhões para ocupar a favela. Além do reforço, o secretário espera a doação de 500 fuzis calibre 7,62 e mil carregadores da Marinha, que também fará a reforma de blindados - os caveirões. Beltrame também teria requisitado ainda Urutus, carros blindados do Exército para a ocupação. O pedido estaria em estudo pela Marinha.   Na última vez que a polícia entrou no Complexo do Alemão, considerado território da facção criminosa Comando Vermelho, no dia 19 de junho do ano passado, 19 traficantes morreram e várias pessoas ficaram feridas. O presidente da Associação de Moradores da Favela da Grota, Wagner Nicácio, disse que os 200 mil moradores das favelas estão apreensivos com a ocupação militar. "Antes eram apenas os policiais. Depois, chegou a Força Nacional de Segurança, que continua ocupando os acessos. Agora, anunciam que vão usar armas da Marinha. Isso aqui está parecendo o Iraque", lamentou Nicácio.   Barbonos   "Esta turma é muito chata, irresponsável e muito sindicalista. A PM está a fim de trabalhar. Esta turma não está afim de trabalhar. A verdade é esta". Esta foi a reação do governador Sérgio Cabral ao saber que um grupo de oficiais prepara um novo protesto nas proximidades de sua residência, no Leblon, na Zona Sul, para o próximo domingo. O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, sinalizou que o grupo Coronéis Barbonos, que está promovendo o ato, pode ser punido novamente, caso repitam a passeata de 26 de janeiro, que resultou na exoneração do ex-comandante da PM, Ubiratan Ângelo. "Existem regras (na PM). O regulamento será aplicado. As reivindicações são justas, mas não podem ser delirantes, declarou Beltrame.   Um dos líderes do Barbonos, o coronel Paulo Ricardo Paúl, confirmou o ato e acusou o atual comando da corporação de distribuir um documento pelas unidades para "desencorajar a ida dos oficiais ao ato". "Se o secretário tem conhecimento de alguma regra de conduta da PM que proíba policiais desarmados em dia de folga de realizar um ato cívico, ele deve nos comunicar, porque desconheço. Acho que não somos chatos, porque tanto o governador, como Beltrame nos receberam várias vezes", disse Paúl. Ele afirmou que a única pessoa que impede que os Barbonos trabalhem é o atual comandante da PM e ex-barbono, Gilson Pitta. "Afinal, ele nos exonerou", afirmou Paúl.

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