Pacientes de tenda no Rio se assustam com novo tiroteio

Em operação do Bope na Vila Cruzeiro, duas motos e um carro roubados são recuperados; não houve prisões

Pedro Dantas, de O Estado de S.Paulo,

17 Abril 2008 | 19h15

O terceiro dia de ocupação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) nesta quarta-feira, 17, na Vila Cruzeiro, na Penha, zona norte do Rio foi marcado por mais um tiroteio à tarde, que assustou novamente os pacientes da tenda de hidratação montada pelo governo estadual no Parque Ary Barroso, no mesmo bairro para tratar vítimas da dengue. Mais uma vez, assustados com os tiros, os pacientes abandonaram a tenda às pressas e se refugiaram no Hospital Getúlio Vargas (HGV). Ninguém ficou ferido. O governo estadual voltou a afirmar que não mudará a unidade de lugar e o comandante do Bope, Alberto Pinheiro Neto, garantiu que o tiroteio aconteceu na Vila Cruzeiro e que a tenda está fora da linha de tiro. Nesta quinta-feira, policiais do Bope destruíram um bunker em uma localidade conhecida como Largo da Morte e continuaram a retirada de barricadas montadas por traficantes. Duas motos e um carro roubados foram recuperados. Até o fechamento desta edição não havia notícias de mortos ou feridos nos confrontos, de acordo com a Secretaria de Saúde do Estado. Comando da polícia Em nota oficial, a Secretaria de Segurança Pública tentou minimizar as declarações do comandante do 1º Policiamento de Área, coronel Marcus Jardim. Após a operação que resultou na morte de nove traficantes, ele disse que a "PM é o melhor inseticida social". A Secretaria disse que as declarações feitas durante uma coletiva de imprensa foram em "tom informal e pessoal e não representam o pensamento oficial". Esta não foi a primeira vez que Jardim se envolveu em polêmicas. Em novembro de 2007, quando ainda comandava o 16º BPM, ele disse que aquele ano seria marcado por três "Pan, PAC e pau". No mesmo mês, Jardim causou constrangimento ao presentear o relator de Direitos Humanos da ONU, Philip Alston, com uma réplica do "Caveirão", o carro blindado da PM. "A frase dele sequer é original. Adolph Hitler anos atrás dizia a mesma coisa antes de enviar as pessoas para câmeras de gás sob a mesma justificativa da purificação social. Não sei ate quando o secretário de Segurança Pública vai insistir em uma política que tornou a polícia do Rio na que mais mata e morre com resultados pífios de apreensões e prisões dos chefes do tráfico", disse a presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Margarida Pressburguer.

Mais conteúdo sobre:
BopeVila Cruzeiro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.