Tânia Rêgo/Agência Brasil
Tânia Rêgo/Agência Brasil

Pais de Marielle cobram respostas sobre assassinato da vereadora

Quase quatro meses após o crime, silêncio dos investigadores incomodam amigos e parentes das vítimas

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

12 Julho 2018 | 18h38

RIO - Os pais da vereadora Marielle Franco, assassinada a tiros com seu motorista, Anderson Gomes, em 14 de março, protestaram nesta quinta-feira, 12, contra a falta de informações oficiais da polícia sobre as investigações. Quase quatro meses após o crime, o silêncio da polícia também incomoda amigos da parlamentar e entidades de direitos humanos que acompanham o caso.

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“Espero que as pessoas que estão à frente das investigações tenham um compromisso maior com a sociedade e com a família”, cobrou a mãe da vereadora morta, Marinete Silva. O pai, Antonio Silva, diz que tudo o que soube sobre o andamento das investigações foi por meio da imprensa. “Estamos sempre esperando que alguém nos procure, nos dê informações, até para amenizar a nossa dor, para sabermos que estão investigando e que vamos ter uma resposta satisfatória.”

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A viúva de Marielle, Mônica Benício, também se manifestou por meio das redes sociais: “O silêncio da não resposta às perguntas #QuemMatouMarielle #QuemMandouMatarMarielle não fere só a minha alma, mas a de 46.502 eleitores de Marielle, a todas as mulheres, a população negra, LGBTI, favelada e periférica. Fere a todo brasileiro e brasileira que acredita e sonha que esse ainda pode ser um país melhor e mais justo para todos. Fere sobretudo a nossa democracia que não pode aceitar essa barbárie. A não resposta ao assassinato de Marielle fere o mundo nos olha chocado com o terror cometido na noite de 14 de março.”

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“É compreensível que a investigação corra sob sigilo”, diz a diretora de Pesquisas da Anistia Internacional, Renata Neder. “Mas o sigilo das investigações não pode ser confundido com o silêncio das autoridades. É importante que as autoridades venham à público prestar esclarecimentos.” Diante da falta de informações, a Anistia Internacional reivindica um mecanismo externo e independente para monitorar a apuração do crime.  

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Poder público

Procurados pelo Estado, a Polícia Civil e o Gabinete da Intervenção Federal preferiram não falar do caso. A Secretaria de Segurança Pública foi a única que se manifestou: “A assessoria de comunicação não vai divulgar informações sobre a investigação, que está sob sigilo”, afirmou, por meio de nota.

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