Para Cabral, 'meia-dúzia' de policiais querem a desordem na PM

Governo do Rio de Janeiro reagiu à demissão de oficiais ligados ao coronel Ubiratan Ângelo, exonerado do cargo

Clarissa Thomé e Felipe Werneck, de O Estado de S. Paulo,

30 de janeiro de 2008 | 23h23

O governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), afirmou nesta quarta-feira, 30, que "meia-dúzia" de policiais militares "quer o confronto, a balbúrdia e a desordem na Polícia Militar (PM), mas "não vai conseguir". Cabral reiterou o apoio ao secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, que falou em promover "uma mudança na essência" da corporação. "Esse movimento é absolutamente isolado. Se eles acham que vão tirar o prestígio do Beltrame, estão redondamente enganados. Beltrame só se fortalece", afirmou o governador.  Comandante da PM do Rio assume e 'manda recado' a oficiais O secretário reagiu à atitude dos oficiais que, pela manhã, ameaçavam entregar os cargos. "A decisão de tirar o comandante foi tomada, não pretendo voltar atrás. Se eles entregarem os cargos, vão ser substituídos", declarou Beltrame. Ele descartou a possibilidade de pedir uma intervenção das Forças Armadas. "A solução passa aproveitamento e valorização da prata da casa." O secretário disse que considera justa a reivindicação salarial, mas criticou os métodos escolhidos pelo movimento. "Temos que ter respeito para discutir. Nunca a secretaria negou audiência. Acho um exagero a atitude tomada, descabida, desrespeitosa com o governador, não é assim que se procura atendimento de demandas." Segundo ele, o grupo de policiais "tenta se fortalecer politicamente". "Não podemos admitir (essa atitude) de pessoas que têm um regulamento e pertencem a uma instituição baseada na hierarquia e na disciplina", disse. "Eu não me preocupo em incomodar as pessoas, eu me preocupo com resultados. Vamos refletir por que a instituição tem quase um terço do seu efetivo em área administrativa. Vamos discutir as questões cruciais da PM, mas discutir salário única e exclusivamente, batendo de maneira mal-educada numa questão, não vai ser por aí", declarou o Beltrame. "Não vejo em que ceder. Pelo contrário, durante todo o ano fui tolerante. Estive com eles faz menos de 30 dias e reiterei meu compromisso. Essas pessoas, ainda em cargo de confiança, eles têm é que rever os seus atos. A instituição não precisa só de salários, e reivindicação não se faz com afronta, com o tom que está sendo feito", afirmou o secretário. O governador disse que a PM é composta por "homens calorosos e combatentes" e afirmou que o movimento não prejudicará o policiamento. "O carnaval está garantido. A PM estará nas ruas", disse. "Se Deus quiser vamos ter um carnaval tranquilo. A sociedade pode ficar descansada", declarou Beltrame.  Cabral participou do lançamento das obras do PAC no Morro do Preventório, em Niterói. No fim do evento, foi avisado sobre os oficiais que teriam pedido exoneração, e contemporizou: "É natural. É uma demonstração de prudência e respeito com o novo comandante. Não quer dizer que todos vão sair. Alguns nomes podem ser mantidos". Ao ser informado pelos repórteres de que o pedido de demissão teria sido feito em caráter irrevogável, reagiu, incrédulo, e encerrou a entrevista: "Imagina".

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