Parada do Orgulho LGBT do Rio registra furtos e arrastões

Durante a parada, ativistas pediram mais ação de Dilma e do Congresso Nacional em defesa da causa gay contra a homofobia

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

16 de novembro de 2014 | 16h45

Atualizado às 17h55.

RIO - A 19ª Parada do Orgulho LGBT Rio, que ocorre neste domingo, 16, na orla de Copacabana, foi palco de confusões, furtos e arrastões. Muitos participantes reclamaram da insegurança. Uma mulher teve o cordão roubado e tentou reagir. Equipes de vigilância privada que trabalhavam no evento capturaram os suspeitos e houve correria. Dois menores foram apreendidos por furto qualificado e encaminhados à 12ª Delegacia de Polícia.

Outros episódios foram flagrados pela reportagem do Estado. Em um deles, a mochila de um rapaz era vasculhada sem que ele percebesse. Em outro, a Guarda Municipal deteve um menor suspeito de furto. Ele foi levado à 13ª DP. No meio da confusão, participantes tentavam fugir dos arrastões e corriam até mesmo por cima da bandeira símbolo do movimento, estendida sobre o asfalto da Av. Atlântica.

Durante o desfile, os organizadores do evento pediam ao microfone maior atuação da Polícia Militar e chegavam a indicar os diversos pontos de atuação dos ladrões. Cerca de 400 mil pessoas eram esperadas na Parada, de acordo com organizadores, mas o público pode chegar a 1,5 milhão.

Por meio de sua assessoria, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (Pmerj) afirmou que não revela o número efetivo de agentes presentes no evento "por ser considerado um número estratégico". Informou apenas que faziam a segurança da Parada Gay todo o efetivo do 19º Batalhão (Copacabana) e alguns agentes do Batalhão de Grandes Eventos.

De acordo com a Polícia Civil, há informações de outros menores sendo encaminhados à 12ª DP, mas ainda não há um balanço das ocorrências no evento.

A parada. Desde a manhã, estandes da prefeitura e do Estado e pessoas ligadas à defesa da diversidade sexual oferecem serviços como teste de HIV e hepatite e vacinação, além de entregar preservativos. O movimento Rio Sem Homofobia lançou a campanha #DESAFIODOLAÇOVERMELHO, em que as pessoas são desafiadas a tirar uma foto com objeto símbolo do combate a Aids e postar nas redes sociais.

No microfone, ativistas pediram mais ação da presidente da República, Dilma Rousseff, e do Congresso Nacional em defesa da causa. "Dilma, mande para o Congresso Nacional a mensagem para tornar crime a homofobia", pediu um dos ativistas. Performista há 12 anos, Letícia Rocco, levou uma hora e meia para se preparar para a festa, um figurino dourado que incluiu muito brilho, pedras e maquiagem. Com tanta dedicação, ela lamentou que a parada venha sendo encarada muito mais na brincadeira. "É muito mais do que uma festa, mas todo mundo vem se divertir, virou Carnaval", disse. Mesmo assim, ela destacou que muitos heterossexuais participam do evento, o que já é um passo para vencer o preconceito.

O americano John Yrazabal, de 45 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro para trabalhar como analista de tecnologia desde a Copa do Mundo até as Olimpíadas. Acompanhado de Walter, seu companheiro há 11 anos, ele se mostrava animado com a hospitalidade brasileira e sobretudo com o evento. "Em vários aspectos é muito menor (do que a Parada Gay nos Estados Unidos), mas ao mesmo tempo é maravilhoso ver isso se espalhando ao redor do mundo", afirmou.

A Parada do Orgulho LGBT Rio, organizada pela ONG Grupo Arco Íris de Cidadania LGBT, tem como lema "Somos Milhões de Vozes". Onze trios elétricos formavam uma fila entre os postos 5 e 6 da Praia de Copacabana. Um dos carros teve como convidada a atriz Letícia Spiller. Acompanhada do elenco do filme O Casamento de Gorete, Letícia trouxe à parada sua personagem, a drag queen Rochanna, para encenar uma cerimônia de casamento. O ato foi em defesa da aprovação de uma lei que permita o casamento homossexual no País. Além da atriz, a bateria da escola de samba Mangueira foi escalada para encerrar a festa.

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