EFE/Antonio Lacerda
EFE/Antonio Lacerda

Parente de vítimas culpa Detran por atropelamento em Copacabana

Motorista dirigia sem carteira e alegou ter sofrido um ataque epiléptico ao volante

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

19 Janeiro 2018 | 14h03
Atualizado 19 Janeiro 2018 | 16h54

RIO - Indignado, o músico Marcelo Cará, de 46 anos, deixou o Hospital Miguel Couto, no Leblon, onde visitou quatro parentes atropelados no calçadão de Copacabana na noite de quinta-feira, clamando por justiça. "Está na hora de mudar essa imprudência. Que Detran é esse?", afirmou, nesta sexta-feira, 19, em referência ao atropelador, Antonio Anaquim. Ele dirigia sem carteira e alegou ter sofrido um ataque epiléptico ao volante, o que o teria levado a subir a calçada.

+ Mãe de bebê morto em atropelamento no calçadão de Copacabana está em estado grave

Cará toca e canta em um quiosque em Copacabana e aguardava o sobrinho, Jean Carvalho, com a mulher e os três filhos, de 2, 7 e 10 anos, que iriam vê-lo se apresentar. Eles foram atropelados a caminho do local.

+ Motorista do acidente em Copacabana não contou ter epilepsia ao tirar carteira

O músico soube do acidente porque sua mulher ligou preocupada para contar. Ela mora em Porto Alegre e viu o caso na televisão. Mesmo estando a poucos metros, Cará ainda não tinha sido informado sobre o caso.

A família é gaúcha e chegou ao Rio há dois dias, para ficar até o dia 25. Todos sofreram fraturas. A menina de 7 anos terá de operar o joelho. O menos machucado foi o menor, de 2 anos.

"Há alguém passando a mão na cabeça dele  (Anaquim)? A culpa é dele e do Detran. A família vem na paz conhecer o Rio, passear, e é atropelada assim? Felizmente são espiritualizados e estão bem e calmos. Meus sentimentos para a família que perdeu o bebê (de 8 meses)."

O Departamento Estadual de Trânsito do Rio de Janeiro (Detran-RJ) informou que o motorista Antonio Anaquim teve processo de suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) aberto em maio de 2014 e não cumpriu a exigência de devolução do documento para fazer o curso de reciclagem. O órgão instaurou processo de cassação da carteira.

"O Detran esclarece que cumpriu com todo o trâmite do Código Brasileiro de Trânsito", diz nota enviada à imprensa, em que o órgão se solidariza com as vítimas do acidente. "O Detran-RJ informa que pessoas com epilepsia podem ter CNH. No entanto, para ter a CNH validada, os cidadãos precisam passar por uma avaliação neurológica. Quando apto para dirigir, o exame médico terá validade menor de acordo com a avaliação médica e o cidadão só poderá ter a CNH na categoria B (somente para carros).  No caso do acidente, o motorista, durante seu exame de validação médica, negou ter qualquer doença neurológica, inclusive epilepsia."

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.