Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Parque no centro do Rio é ‘retombado’

Com área de 122 mil metros quadrados, Campo Santana convive com abandono após ser destombado em 1943

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

12 de junho de 2015 | 03h00

RIO - Criado há 135 anos por d. Pedro II, o Campo de Santana, maior área verde do centro do Rio, foi “retombado” nesta quinta-feira, 11, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O parque chegou a ser protegido entre 1938 e 1943, quando foi destombado e teve o espaço reduzido em 20% para a abertura da Avenida Presidente Vargas. Desde então, convive com abandono e insegurança.

A decisão foi tomada pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural e comemorada pelo gestor do local, Aurélio Rocha: “Esse tombamento é muito importante para que o Campo de Santana continue sendo como é, porque sempre podem surgir ideias para modificá-lo”. 

O parque, em estilo romântico e hoje com 122 mil metros quadrados, foi projeto do paisagista francês Auguste Marie Glaziou, que misturou referências de jardins ingleses. Diretor de Parques e Jardins da Casa Imperial, Glaziou foi autor também do jardim da Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, onde morava a família imperial. 

Nos séculos 19 e 20, o Campo de Santana foi cenário de celebrações cívicas da capital do Império e do País, como as realizadas em decorrência da abolição da escravidão, em 1888. Um ano depois, a república seria proclamada perto dali.

Atualmente, apesar de estar bem tratado, ter estação de metrô e trem quase na porta e ser bem servido por linhas de ônibus, segue subutilizado. A frequência é estimada em 100 mil pessoas por mês, mas a maioria usa o local como passagem ou para descanso. Os animais encantam as poucas crianças que circulam por ali. São mais de 500 cotias, quatro casais de pavão, micos, gatos e patos.

Antes da construção, a região era um descampado usado pela população de rua. D. Pedro resolveu urbanizá-lo. Ao seu redor, ficavam a Câmara Municipal e o Senado. Sempre esteve associado à mendicância e à insegurança. Dos anos 1980 para cá, o abandono se intensificou. “Aqui acontece de tudo. Hoje tem PMs a cavalo, mas nem sempre é assim”, contou um funcionário. Segundo a administração, desde janeiro não são registrados assaltos dentro do parque, que está sendo revitalizado.


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