Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Passados cinco dias da morte de Marielle, Bolsonaros silenciam

O Estado apurou que orientação é para que os Bolsonaros não falem abertamente sobre o tema; um dos filhos do presidenciável ocupava gabinete ao lado da vereadora

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

20 Março 2018 | 00h55

RIO - Passados cinco dias da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL), o deputado federal e presidenciável Jair Bolsonaro (PSL-RJ) não se pronunciou sobre o caso – nem há previsão de que vá fazê-lo. Perguntado pelo Estado na última sexta se falaria algo sobre o assassinato da vereadora, Bolsonaro respondeu, em tom de brincadeira, que estava com um problema: estava “mudo” e não poderia falar. 

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A assessoria do parlamentar, que tem um discurso fortemente baseado em temas ligados à segurança pública, informou que o deputado estava doente desde terça, 13, motivo pelo qual cancelou a agenda da semana passada.

Filho de Bolsonaro, colega de Marielle na Câmara Municipal e ocupando um gabinete vizinho ao dela no Legislativo carioca , o vereador Carlos Bolsonaro (PSC) também mantém silêncio. A atitude gerou mal-estar no PSOL, por partir de alguém fisicamente próximo.

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“Todos os vereadores que fazem oposição a nós escreveram um texto de pesar. O Carlos pegava elevador com a gente, dividia o corredor e não publicou nada. Isso é vergonhoso”, disse um assessor do partido, que não quis de identificar.

O Estado telefonou para o gabinete de Carlos Bolsonaro, ontem à tarde, mas ninguém atendeu. Já no gabinete do deputado estadual  Flávio Bolsonaro (PSC), outro filho do presidenciável, foi informado que ele também não falaria e que seguiria o pai. 

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O Estado apurou que orientação é para que os Bolsonaros não falem abertamente sobre o tema. A família tem um eleitorado muito conservador, com forte presença de policiais militares e suas famílias. São eleitores que se opõem aos temas defendidos por Marielle: defesa de direitos humanos, dos negros, pobres e da população LGBT.

Rede social. O único do Bolsonaros que abordou mais abertamente o tema foi o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). No dia 17, ele compartilhou uma notícia em seu perfil do Twitter que perguntava por que a família não havia se pronunciado sobre o crime.

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Ele escreveu: “Somos todos iguais e estamos todos morrendo devido a políticas de direitos humanos. Quando não havia direitos humanos tal como hoje, quando não havia desarmamento nem audiência de custódia, morriam muito menos pessoas negras, brancas, japonesas, estrangeiras, pobres, ricas...”

No dia 15, escreveu “Vão falar, refalar, bater, repetir tanto que a vereadora foi executada por um PM mesmo sem uma prova concreta disso. Daí qnd surgir uma possibilidade qualquer de se ligar o crime a Policial em particular, pronto, ele já estará condenado”. 

“Mais uma lição: se você morrer seus assassinos serão tratados por suspeitos, salvo se você for do PSOL, aí você coloca a culpa em quem você quiser, inclusive na PM. Eis o verdadeiro preconceito, a hipocrisia. "Para os meus amigos tudo, aos demais a lei", completou.

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