Passeata no Leblon reúne 300 pessoas contra aumento do IPTU

Movimento pela orla do Leblon e de Ipanema prega o boicote ao Imposto sobre Predial e Territorial Urbano

Alexandre Rodrigues,

20 de janeiro de 2008 | 19h57

Cerca de 300 pessoas participaram na manhã deste domingo, 20, de uma passeata pela orla do Leblon e de Ipanema, na zona sul do Rio, para buscar a adesão de cariocas ao movimento que prega o boicote ao Imposto sobre Predial e Territorial Urbano (IPTU). O protesto foi mantido mesmo depois de o prefeito Cesar Maia (DEM) ter anunciado que vai revogar nesta segunda, 21, o decreto que aumentou em até 300% o IPTU cobrado de cerca de 100 mil imóveis que tiveram a condição de unidades autônomas populares,que lhes garantia descontos, revista pela prefeitura.  Com faixas e cartazes fazendo referência aos gastos dos jogos Pan-Americanos e os poucos benefícios para a cidade, à desordem e à falta de segurança, os manifestantes percorreram a orla colhendo assinaturas para um abaixo-assinado que será encaminhado ao Ministério Público com o pedido de investigação sobre como é aplicado o IPTU no Rio e até o impeachment do prefeito. Os moradores responsabilizam o prefeito pela degradação de áreas públicas, a falta de manutenção de equipamentos urbanos, deficiências nos hospitais e a favelização, que desvaloriza imóveis e propicia o aumento da violência.  O decreto revogado havia apenas acirrado os ânimos de integrantes de 16 associações de moradores que pregam o pagamento do IPTU em juízo ou só em novembro. Insatisfeitas com a administração de Maia, marcada pela degradação de áreas públicas, elas querem frustrar os planos eleitorais do prefeito, que não pode concorrer e não tem um forte candidato.  O movimento começou pela Associação de Moradores da Fonte da Saudade (Amofonte), na Lagoa (zona sul), que ameaçam pagar o IPTU em juízo em protesto pela falta de medidas para coibir a expansão da favela do Morro dos Cabritos. Numa cidade com tantos problemas, associações de outros bairros encontraram seus motivos para participar do movimento. Um plebiscito realizado no sábado na associação de Vila Isabel, na zona norte, terminou com um placar de 1.135 votos pelo boicote e apenas 37 contra. O movimento ganhou dimensão maior depois que moradores se surpreenderam com a redução do desconto de 10% para 7% para o pagamento em cota única e a revisão do imposto dos imóveis populares. Alegando que houve um erro da prefeitura ao não notificar os moradores desses imóveis antes de cobrar o aumento, o prefeito decidiu voltar atrás e enviar novos carnês com os valores de 2007. Maia, que chegou a dizer que o boicote beneficiaria a prefeitura por estimular contribuintes a pagar o imposto atrasado com multa, nega ter abandonado a cidade e diz ver interesses políticos no movimento.  "Não esperava reunir tantas pessoas. Tinha gente de todas regiões da cidade. O cidadão carioca estava muito apático, achando que não tinha jeito. Podemos pressionar por uma cidade e autoridades melhores. Somos tratados como cidadãos de segunda categoria, mas na hora de cobrar o IPTU somos de primeira", avaliou a presidente da Amofonte, Ana Simas. Para ela, o recuo do prefeito não esvazia o movimento. "Na favela, existem pessoas muito ricas de alma, mas esse prefeito é um miserável de alma. Mesmo se não fizermos um grande estrago nas contas do prefeito, já teremos um custo político para ele incalculável."  

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