Pastor evangélico que ajudou assaltante no Rio é indiciado

Religioso apresentou rapaz que teria causado morte de turista dizendo que este estava 'possuído por demônio'

Pedro Dantas, do Estadão,

27 de novembro de 2007 | 19h24

O pastor evangélico Isaías da Silva Andrade, que escondeu e apresentou à polícia o assaltante acusado pela morte do turista italiano Giorgio Morassi, foi indiciado por favorecimento pessoal e pode ficar até seis meses preso. "Na quinta-feira, o pastor levou o acusado que antes estava com parentes para uma casa dentro da Favela da Fazendinha, no Complexo do Alemão, ou seja, colocou em risco a comunidade e dificultou a prisão", afirmou o delegado-titular da Delegacia Especial de Atendimento ao Turista (Deat), Fernando Veloso. Na segunda, o pastor justificou o crime afirmando que Rodrigo Carvalho da Cruz, o Tico, estava "possuído por demônios" quando roubou o cordão do pai de Giorgio, que foi atropelado após perseguir e lutar com o assaltante. Depois de confessar o assalto, Tico foi indiciado por homicídio. O irmão de Giorgio, Victor Morassi, reconheceu nesta terça-feira, 27, o assaltante, que já tinha sido identificado por ele em fotos. Junto com os pais, ele viu a morte do irmão. Outras quatro vítimas também reconheceram Tico como autor de assaltos na orla. O delegado pretende enviar na quarta o inquérito à Justiça e pedirá a prisão preventiva do acusado, cuja prisão temporária termina na sexta-feira. O delegado-titular da 13.ª Delegacia de Polícia de Ipanema, André Drumond, anunciou a prisão de Marcelo Alves da Silva, o Mussum, de 39 anos, suspeito de atuar em conjunto com Tico. A polícia estima que dez pessoas atuem em uma quadrilha especializada em assaltar turistas na orla carioca. Mussum, foi preso em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, onde é acusado de formação de quadrilha e roubo e tem a prisão preventiva decretada pela Comarca de Muriaé, no interior de Minas Gerais, pela participação no seqüestro do dono de uma rede de supermercados local no último dia 9. Outros roubos a turistas Novos casos de roubos e agressões contra turistas estrangeiros foram registrado na Deat. Na segunda, a turista suíça Muriel Eckstein, de 29 anos, foi roubada e agredida em Santa Teresa. O ladrão, aparentemente menor, se irritou com a demora dela em entregar a câmera digital e deu tapas no rosto da jovem. "Posso até em voltar ao Brasil, mas nunca mais andarei sozinha por aqui", disse Muriel. Um casal de húngaros foi furtado no mesmo dia na calçadão de Copacabana. Ontem, a turista francesa Grimanée Maurent, de 76 anos, foi assaltada no calçadão de Copacabana. Empurrada pelo bandido, ela caiu no chão e bateu com a cabeça. O bandido foi atropelado por um carro e preso por guardas municipais. De acordo com dados da Deat, a orla de Copacabana e de Ipanema concentram os ataques contra turistas. Dos 29 roubos ocorridos em outubro em Copacabana, 18 foram na Avenida Atlântica, que registrou 32 furtos no mês passado. Em Ipanema, 12 dos 17 furtos a turistas ocorreram na Avenida Vieira Souto. Uma operação da Polícia Civil e Militar será iniciada nos próximos dias nos dois bairros da orla com policiais em roupas de banho e andando de bicicleta. "Mapeamos os pontos de maior incidência e vamos reprimir estes crimes de forma incisiva com a prisão dos ladrões e a apreensão dos menores infratores", declarou o delegado-titular da Deat. 

Tudo o que sabemos sobre:
AssaltoTuristaAtropelamento

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.