Peritos do IC fazem vistoria em prédio onde houve explosão

Técnicos não quiseram adiantar o resultado preliminar da análise, que deve ficar pronto em 30 dias

Pedro Dantas, O Estado de S. Paulo

27 de fevereiro de 2008 | 10h23

Peritos do Instituto de Criminalística Carlos Eboli realizam, na manhã desta quarta-feira, 27, vistoria no prédio da rua Rezende Feijó número 95, que foi parcialmente destruído na terça-feira, 26, por uma explosão causada por um botijão de gás. Os técnicos não quiseram adiantar o resultado da análise preliminar e informaram que o laudo ficará pronto em 30 dias. Três prédios nas proximidades do imóvel atingido serão vistoriados pela Defesa Civil devido ao acúmulo de entulho resultante da explosão. Comerciantes que trabalham no imóvel, que está interditado, aguardam na calçada para pegar seus pertences e instrumentos de trabalho. O comércio nas proximidades do local funciona normalmente.  A explosão de pelo menos um botijão de gás em uma pequena fábrica de bijuterias destruiu dois dos seis andares do prédio. Nove pessoas ficaram feridas - três em estado grave. O impacto violento arremessou Marizete Monteiro da Silva, de 39 anos, pela janela da área interna do prédio, do quinto para o terceiro andar, com móveis e uma geladeira. A vítima sofreu trauma leve na cabeça e ficou internada em observação.  A laje do quinto andar desabou sobre o andar inferior, provocando a destruição dos dois pavimentos. Três mulheres ficaram soterradas, mas sobreviveram. Doze prédios vizinhos foram atingidos por estilhaços e também foram interditados parcialmente. O acidente aconteceu por volta das 8h15 de terça, no apartamento 503 do Prédio Baltazar, na região comercial do Saara.  Um botijão de gás era usado como combustível de um maçarico para soldar peças de bijuterias. O filho do dono da loja, Renato dos Santos, de 46 anos, acendeu o maçarico no local e provocou a explosão. "Ele não percebeu o vazamento e aconteceu o estouro. Não sei como vou recomeçar minha vida", disse o dono da Santiago dos Santos Bijuterias, Eduardo Santos, de 72 anos.  Renato teve 85% do corpo queimado, sofreu traumatismo craniano encefálico e fraturou o fêmur. A filha do dono, Tânia Santiago dos Santos, de 49 anos, foi a última soterrada a ser resgatada, quase quatro horas após a explosão. Ela está em estado grave. Com o esmagamento da tíbia direita, Tânia passou por uma cirurgia ortopédica no Hospital Miguel Couto, na Gávea, zona sul. O funcionário Diogo Oliveira Silva, de 24 anos, também está em estado grave com 25% do corpo queimado e trauma na cabeça. O coordenador da Defesa Civil Municipal, coronel João Carlos Mariano, não acredita que apenas um botijão causou a tragédia. "O prédio tem seis andares, é antigo, mas a estrutura é forte. Apenas um botijão não causaria esse estrago", avaliou. Ele não descarta a explosão de outros botijões ou vazamento no encanamento de gás. Cinco pessoas, entre funcionários da Secretaria de Obras e bombeiros, ficaram intoxicadas ao final do resgate reforçando a suspeita de vazamento. A Companhia Estadual de Gás não constatou vazamento na rua.  O Corpo de Bombeiros disse que a fábrica não tinha autorização para estocar produtos inflamáveis. O dono, porém, informou que tem as autorizações.

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