Pesquisa diz que comércio do Rio gastou R$ 28 mi em segurança

Para instituição, dinheiro poderia ter sido investido na geração de emprego, se segurança pública fosse eficaz

Felipe Werneck, de O Estado de S.Paulo,

16 Abril 2008 | 20h11

O gasto com segurança privada no Estado do Rio foi de R$ 28,7 bilhões no período de seis anos, entre 2002 e 2007, apenas no setor de comércio de bens, serviços e turismo. O dado foi divulgado nesta quarta-feira, 16, pelo presidente da Federação do Comércio do Estado do Rio (Fecomércio-RJ), Orlando Diniz. Diniz arriscou uma estimativa: segundo ele, o valor, que representou 2,38% do faturamento do setor, poderia ter sido aplicado na geração de até 2 milhões de empregos no período - com carteira assinada, benefícios e salário médio de R$ 700. A análise não abordou a quantidade de pessoas que hoje estão empregadas na segurança privada. O cálculo do gasto citado por Diniz inclui, além dos vigilantes, compra e manutenção de equipamentos como alarmes e câmeras. Ele citou os números ao comentar uma pesquisa nacional encomendada pela Fecomércio-RJ à Ipsos, na qual foram ouvidas mil pessoas com 16 anos ou mais em 70 cidades de 9 regiões metropolitanas, de 24 a 29 de fevereiro. O resultado mostra que, entre duas opções apresentadas, 72% dos entrevistados escolheram, como melhor solução para a criminalidade e a violência, "mais atenção (dos governos) sobre a condição de vida da população, porque sem moradia, saúde, educação e emprego o jovem sempre vai ver o crime como uma das únicas opções para melhorar sua vida". Dos entrevistados, 26% escolheram a outra opção, que aponta como solução uma "política de segurança pública forte, com policiais mais inteligentes e mais bem pagos, leis e punições mais severas e muito mais presídios de segurança máxima". Um ano antes, em fevereiro de 2007, o mesmo questionário recebera o apoio de 60% dos entrevistados para a opção que defende políticas sociais como solução, ante 39% para a segunda. "Criou-se um círculo perverso em que violência gera exclusão, e a exclusão gera mais violência. Precisamos sair dessa armadilha que foi criada", declarou o presidente. "A pesquisa mostra que a população vê como caminho uma solução de longo prazo, de inclusão e geração de emprego e opções de lazer." Diniz admitiu a responsabilidade do setor na geração de emprego. "O comércio é a porta de entrada, reconhecemos nosso papel nas ações que precisam ser feitas." Segundo ele, porém, "não se faz da noite para o dia" a migração dos gastos em segurança. Atualmente, 80% dos empregos no Estado estão concentrados no setor de comércio de bens, serviços e turismo: são 2,7 milhões de trabalhadores, e apenas 621 mil vagas formais foram criadas no período de seis anos analisado, disse Diniz. "O comércio poderia ter gerado 2 milhões de novos postos de trabalho. Isso mostra como a criminalidade impacta de maneira brutal, colocando em risco até a democracia." A pesquisa também mostra que 60% dos entrevistados apontaram o governo federal como responsável pelo combate à criminalidade, ante 23% para os Estados. A maioria (78%) dos entrevistados disse acreditar que a impunidade aumentou nos últimos dois anos. Para 54% dos entrevistados, a pirataria não tem ligação com a criminalidade e não gera desemprego.

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