Petrobras confirma três mortes em acidente com helicóptero

O aparelho levava 20 trabalhadores na hora do acidente; 15 deles foram resgatados; dois estão desaparecidos

Marcelo Auler, O Estado de S. Paulo

27 de fevereiro de 2008 | 11h28

A Petrobras divulgou nova nota, nesta quarta-feira, 27, sobre o acidente ocorrido com um helicóptero da empresa na tarde de terça-feira, 26. Na nota, a empresa confirma a morte de três pessoas, duas delas ainda não identificadas. Duas pessoas ainda estão desaparecidas e as buscas continuam em andamento.   Segundo o Instituto Médico Legal, a única morte confirmada é do técnico de segurança do trabalho, Marcelo Manhães dos Santos, de 28 anos. O corpo dele foi o primeiro a chegar ao IML de Macaé, na manhã desta quarta-feira, 27. O nome de Manhães foi revelado pela guia de remoção do cadáver da Polícia Civil.   O Super Puma que prestava serviços à Petrobras tentou o pouso a cerca de 100 quilômetros do litoral fluminense. A aeronave, de prefixo 332L2, havia acabado de decolar da plataforma P-18 em direção a Macaé, no norte fluminense, com 20 pessoas a bordo - 17 passageiros e três tripulantes. A identidade do morto não foi divulgada.   Chovia muito e o mar estava agitado no momento do acidente, às 16h15 de terça-feira, 26, mas pilotos garantiram que havia condições de vôo. A P-18 fica no Campo de Marlim, a 109 quilômetros do litoral. O Comando do 1º Distrito Naval confirmou o resgate de 15 passageiros, realizado por 13 embarcações da própria Petrobrás, além de três helicópteros. A Marinha também deslocou um navio para ajudar na busca aos desaparecidos.   No início da noite, o co-piloto Sérgio Ricardo Miller foi levado de helicóptero para o Hospital Público de Macaé. Ele quebrou a costela e seu estado de saúde é estável. As outras 14 pessoas resgatadas receberam os primeiros socorros na plataforma e não tiveram ferimentos graves. Segundo a Petrobras o helicóptero que decolou da P-18 fez um pouso forçado, mas não afundou.   Pouso forçado ou acidente   O diretor de comunicação do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindpetro), Marcos Breda, criticou a nota divulgada pela estatal. "A Petrobras chamou isso de pouso forçado, mas entendemos como um acidente", disse ele. O sindicato exigia que a estatal divulgasse imediatamente o nome dos passageiros resgatados e desaparecidos. "Não estamos mais conseguindo falar com a plataforma, acreditamos que os troncos de telefone tenham sido cortados para que a Petrobrás fale o que quiser".   A BHS Táxi Aéreo, que presta serviços a Petrobras, informou que a aeronave tinha apenas dois anos de uso e possui um dispositivo que a faz flutuar em caso de pouso forçado na água. Não é a primeira vez que um helicóptero da mesma empresa cai na Bacia de Campos, ao prestar serviços à Petrobrás. Em julho de 2004, um modelo Sikorsky caiu com nove pessoas quando seguia para a plataforma P-31, no campo de Albacora. Três pessoas morreram.   Em julho de 2003, cinco pessoas morreram na queda de um helicóptero da BHS quando o aparelho se aproximava do navio de apoio Toisa Mariner, onde deveria pousar. A hélice do helicóptero bateu no mastro, fazendo com que o comandante perdesse o controle. A aeronave girou no ar a uma altura de 100 metros e caiu na água. No ano passado, 19 pessoas, entre elas 9 funcionários da Petrobrás, morreram na queda de um bimotor da Team que ia de Macaé para o Rio e bateu numa montanha entre Rio Bonito e Araruama.   Veja a íntegra da nota da Petrobras:   "A Petrobras vem a público prestar novas informações sobre o acidente com o helicóptero Super Puma L2, da empresa BHS, ocorrido ontem, 26/02, por volta das 16h30, na Bacia de Campos, a cerca de 120 quilômetros da costa. A aeronave transportava 20 pessoas, 17 passageiros e três tripulantes. Até o momento, 15 pessoas foram resgatadas com vida. O co-piloto que conduzia o helicóptero, Sérgio Ricardo Muller, está internado no Hospital Municipal de Macaé, em condições estáveis. As demais pessoas foram avaliadas com diagnóstico favorável, por equipe médica, em plataformas próximas ao local do acidente, e estão sendo desembarcadas das plataformas hoje pela manhã. Foi confirmado o óbito de Marcelo Manhães dos Santos, da empresa Sparrows BSM Engenharia. Outros dois corpos foram localizados no interior da aeronave, no fundo do mar, ainda sem identificação, em processo de resgate. As buscas dos dois passageiros ainda desaparecidos continuaram por toda a noite e estão em andamento com quatro embarcações equipadas com robôs submarinos para buscas no fundo do mar, oito embarcações de pesquisa de superfície e três helicópteros, além de duas aeronaves da Força Aérea Brasileira e um navio da Marinha. A Petrobras e as empresas prestadoras de serviços entraram em contato com os familiares dos passageiros e estão prestando toda a assistência às famílias das vítimas. A aeronave que conduzia os passageiros da P-18 com destino a Macaé era de fabricação Eurocopter ano 2002, da empresa BHS (Brazilian Helicopter Service), prestadora de serviços de transporte aéreo para a Petrobras. Esta aeronave possuía capacidade para 25 pessoas incluindo três tripulantes".   (Colaborou Jacqueline Farid, de O Estado de S. Paulo)

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