Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Pezão afasta secretário de Segurança e comunica intervenção às polícias do Rio

General do Exército, Walter Braga Neto, assumirá o comando das Polícias Civil e Militar do Estado

Wilson Tosta, O Estado de S.Paulo

16 Fevereiro 2018 | 10h38
Atualizado 16 Fevereiro 2018 | 17h36

RIO - O  secretário de Segurança do Estado do Rio, Roberto Sá, foi afastado nesta sexta-feira, 16, em consequência da intervenção federal decretada na área de segurança pública fluminense.

Em entrevista à Rede Globo, Sá disse que colocou seu cargo à disposição do governador Luiz Fernando Pezão (MDB) devido à intervenção federal no setor. “Entreguei o cargo. O novo gestor poderá colocar outra pessoa”, afirmou. 

Sá fez, porém, um balanço positivo da ação das forças de segurança do Rio durante o carnaval deste ano, marcado por vários atos de violência que acabaram aprofundando a percepção de ausência de ação policial nas ruas. Segundo ele, os indicadores preliminares de criminalidade são melhores que os dos carnavais de 2015, 2016 e 2017. Mas reconheceu que a situação da segurança no Estado é difícil e queixou-se da falta de recursos.

“Quando conversei, a decisão (da União de intervir nas Polícias do Estado) já estava tomada”, contou Sá, que foi informado por Pezão, nesta sexta-feira, 16, de seu afastamento do comando da segurança por causa da intervenção.

O governador comunicou a intervenção à cúpula da área em reunião pela manhã, no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governo estadual. O comandante da Polícia Militar, coronel Wolney Dias, e o chefe da Polícia Civil, delegado Carlos Leba, entre outras autoridades, também participaram do encontro.

Também serão afastados de seus postos, assim que a intervenção começar, os secretários de Administração Penitenciária, David Anthony Gonçalves Alves, e Defesa Civil, coronel-bombeiro Roberto Robadey Costa Júnior. Há divergências jurídicas sobre o início da validade do decreto de intervenção e o afastamento dos cargos: se assim que a medida for assinada pelo presidente Michel Temer ou se somente quando for aprovada pelo Congresso, que deve votá-la já na semana que vem.

O governador embarcou às 10 horas para Brasília, onde será assinado, pelo presidente Michel Temer, o decreto por meio do qual a União intervirá nas forças estaduais. Uma reunião tensa, que acabou por volta de meia-noite da quinta-feira, 15, decidiu pela intervenção. Participaram do encontro o presidente Temer, ministros e representantes do Congresso, no Palácio da Alvorada.

 +++ Pezão admite falha na segurança do carnaval do Rio

Na prática, Pezão perderá todos os seus poderes sobre as corporações policiais. Um general do Exército, Walter Braga Neto, de perfil centralizador, assumirá o comando das Polícias Civil e Militar do Estado, possivelmente com poder para nomear seus comandantes e até prender seus integrantes. 

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