Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Pezão diz que críticas de ministro da Justiça são 'ilações'

Torquato Jardim havia acusado políticos e comandantes de batalhões da Polícia Militar de se associarem ao crime organizado no Rio

Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

02 Novembro 2017 | 14h09

RIO - Um dia após ajuizar uma interpelação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ministro da Justiça, Torquato Jardim, o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, voltou a criticá-lo e disse que as "ilações" feitas por ele sobre a polícia do Rio não ajudam em nada. "Se ele tem essas informações, que apure", afirmou o governador em entrevista à rádio CBN nesta quinta-feira, 2.

"Essas ilações, essas falas, não ajudam nada. Trazem dúvidas. A gente vive um período no País em que infelizmente as pessoas fazem essas colocações em cima de ilações, de indícios", disse. 

Na terça-feira, 31, o ministro acusou políticos e comandantes de batalhões da Polícia Militar de se associarem ao crime organizado no Rio. Também afirmou que o governador fluminense e o secretário de Segurança Pública, Roberto Sá, não têm controle sobre a PM. Hoje, Pezão reafirmou sua confiança no trabalho de Sá e descartou sua substituição.

Pezão saiu em defesa dos policiais do Estado, afirmando que não se pode "viver de ilações e indícios". Ele cobrou que Torquato Jardim use o aparelho que tem à sua disposição, já que tem a Polícia Federal na mão, para comprovar as acusações feitas. "Se ele tem essas informações, que apure. A gente quer ver tudo esclarecido e passado em pratos limpos", afirmou.

Na quarta-feira, Pezão se reuniu com cerca de 40 comandantes de batalhões da Polícia Militar do Rio. Na próxima semana uma nova reunião será convocada, dessa vez com todos os comandantes, "mostrando a solidariedade do governo". O governador afirmou que o governo "cortou na carne" da área de Segurança e que tem sido até criticado pela dureza das punições aos policiais. Ao mesmo tempo, afirmou que é responsabilidade do governo federal monitorar as fronteiras, impedindo a entrada de armas no Estado, e combater o tráfico de drogas. 

"O que mais tínhamos no Rio de Janeiro eram os postos da Polícia Rodoviária Federal fechados. Entrava tudo. Isso aqui era uma peneira", criticou. "Nós temos verdadeiros heróis aqui lutando contra armamentos que nós não somos nem autorizados pelo Exército a comprar. E  essa bandidagem compra tranquilamente", disse.

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