Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Pezão é chamado de 'covarde' em ato contra morte de fuzilados

Moradores e parentes de cinco jovens fuzilados por PMs fizeram ato pacífico em Costa Barros; carro das vítimas foi cravejado por 63 disparos

Mariana Durão, O Estado de S. Paulo

05 de dezembro de 2015 | 13h24

RIO - Organizações da sociedade civil, parentes e amigos dos cinco jovens entre 16 e 25 anos fuzilados por policiais militares há uma semana, em Costa Barros, na zona norte do Rio, se reuniram na manhã deste sábado, 5, para protestar contra o episódio e fazer um apelo ao governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) por apoio psicológico. Ele foi chamado de "covarde" pela associação de moradores. 

A manifestação começou no Parque Madureira, área de lazer carioca, onde os amigos tinham ido fazer um passeio no dia do crime. Na volta, o Palio onde estavam foi atingido por 63 tiros. Pelo menos 111 foram disparados. Os jovens Wilton Júnior, de 20 anos, Wesley Rodrigues, de 25, Cleiton Corrêa de Souza, de 18, Carlos Eduardo da Silva de Souza, de 16, e Roberto de Souza Penha, de 16 anos foram executados na Estrada João Paulo. A PM do Rio classificou o caso como "hediondo".   

O ato de paz organizado pela Associação de Moradores do Morro da Lagartixa, onde moravam os rapazes assassinados, fez uma carreata até o local do crime. A entidade cobra o apoio do governo do Estado do Rio às famílias das vítimas. Segundo o vice-presidente da associação, Aluizio Brandão. "O governador (Luiz Fernando) Pezão até agora não deu nem apoio psicológico às famílias. A comunidade está cansada de tanta morte sem querer, dos policiais atirarem sem perguntar".

A mãe de Cleiton, Monica Aparecida Santana, fez um desabafo. "Senhor governador, deixe de ser covarde. Eu não estou pedindo nada, só a sua presença", afirmou. "Nossa esperança é que a morte dos nossos filhos não seja em vão, que outros pais não passem por isso", disse Carlos Henrique do Carmo Souza, pai de Carlos, o Carlinho. 

O caso resultou na prisão de quatro policiais militares. Segundo testemunhas os policiais, que haviam atendido a um chamado sobre roubo de cargas, dispararam contra os jovens, antes mesmo de qualquer abordagem. A versão dos policiais é que havia um tiroteio entre traficantes no local e que um dos jovens pôs o corpo para fora do carro e atirou contra os PMs. A perícia não foi confirmou essa versão. 

Quatro dos policiais militares foram presos em flagrante por homicídio doloso (com intenção de matar) e quatro por fraude processual. Ontem integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga a violência policial foram ao Batalhão Especial Prisional, em Niterói, no Grande Rio, para ouvir os PMs acusados da chacina. Fundador da ONG Rio de Paz, Antonio Carlos Costa cobrou que o Estado indenize as famílias e também a reforma da Polícia Militar.

"É uma polícia que mata muito e morre muito. Vítima e algoz ao mesmo tempo. Estão enviando rapazes recém saídos da Academia para que, com uma pistola na mão, deem conta de um cenário de exclusão", criticou Costa. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.