Pezão tenta prorrogar ocupação militar na Maré em meio a troca de comando da PM

Esta é a segunda vez que o governador do Rio pede o adiamento da saída do Exército, que chegaram ao local em abril

Antonio Pita /RIO, O Estado de S. Paulo

29 de novembro de 2014 | 16h32

 RIO – O governador do Estado do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), vai solicitar nova prorrogação da permanência de militares do Exército no complexo de favelas da Maré, na zona norte do Rio. É a segunda vez que o governador pede o adiamento da saída dos militares, que chegaram ao local em abril. A previsão inicial era que as tropas deixassem o complexo em julho, mas a permanência foi adiada até o dia 31 dezembro. Hoje, a Polícia Militar (PM) também anunciou a troca de comando de 28 batalhões e unidades do Rio. 


A decisão de prolongar a atuação militar na região surge após mais uma morte, nesta semana. Pezão afirmou neste sábado, 29, que conversará com a presidente Dilma Rousseff (PT) e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para tentar o adiamento da saída dos militares que compõem a Força de Pacificação da Maré. Ao todo, 2.700 militares de diversos estados integram a tropa, que conta ainda com blindados da Marinha e tanques de guerra. 


“Uma comunidade ao lado da Avenida Brasil, da Linha Vermelha, perto do Galeão, que tinha um nível de violência inimaginável. Uma região que o tráfico dominou por mais de 30 anos. Isso mostra a dificuldade que nós temos. Se não fosse essa parceria com a presidenta Dilma e as Forças Armadas, dificilmente conseguiríamos ter êxito na nossa política de pacificação”, afirmou Pezão, nesta manhã. 


Segundo o governador, o adiamento é necessário para que sejam formados novos policiais militares para a implantação de mais Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no complexo.  Ele não detalhou até quando os militares devem continuar na região. A previsão do governo é que mais mil policiais militares sejam formados até o final do ano. O plano da Secretaria de Segurança para a região, onde habitam cerca de 130 mil pessoas em 16 comunidades, prevê a implantação de quatro UPPs, ainda sem data definida. 

Hoje, a PM anunciou a troca de comando do 22º batalhão, no Complexo da Maré, e em mais 27 unidades da polícia na capital e no interior fluminense.  Em meio a uma série de denúncias de corrupção na cúpula da corporação, e após a reeleição do governador, a Secretaria de Segurança está reestruturando os comandos. O tenente-coronel Andre Luiz de Castro Maia, que era subcomandante do Colégio da Polícia Militar (CPM), assume o comando do batalhão na Maré. 

No início do mês, o secretario de Segurança, José Mariano Beltrame, anunciou a troca do comandante geral da PM. O  ex-comandante José Luiz Castro foi exonerado após duas operações contra corrupção, promovidas pela própria secretaria, identificarem uma rede de extorsões praticadas por militares da cúpula da PM.  O novo comandante, Pinheiro Neto, só assume em janeiro e até lá o coronel Ibis Silva atua como interino. 

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