Wilton Júnior / Estadão
Wilton Júnior / Estadão

PF investiga centenas de mortes de animais em centro de tratamento do Ibama nos últimos 4 meses

As espécies teriam morrido no Centro de Tratamento de Animais do Ibama, em Seropédica, por falta de cuidados adequados

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2021 | 13h05
Atualizado 23 de fevereiro de 2021 | 20h01

RIO — A Polícia Federal apura denúncia de que centenas de animais morreram no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Citas) do Ibama em Seropédica, na Baixada Fluminense, nos últimos meses.  O motivo das mortes seria o fim do contrato com uma empresa terceirizada que prestava serviços ali. O local abriga bichos silvestres feridos que, após recuperação, são devolvidos à natureza.

Nesta terça-feira, 23, poucos servidores que ainda atuam no local foram à sede da PF para prestar informações. Na segunda, agentes foram ao Cetas realizar diligências e verificar as condições do órgão.

O Centro de Triagem fica na Floresta Nacional Mário Xavier, às margens da BR-465. O acesso ao local é relativamente fácil. Mas o aspecto geral é de abandono, com instalações antigas. Segundo informações da TV Globo, cerca de 600 animais teriam morrido ali falta de cuidados adequados nos últimos quatro meses.

O Estadão confirmou com uma pessoa com acesso ao Cetas, que é fechado para visitação, que apenas quatro servidores atuam no momento no centro. O número insuficiente para prestar os cuidados adequados às centenas de animais tratados no Cetas. As aves, como as araras, são maioria número, mas o centro de triagem também cuida de mamíferos e répteis.

A reportagem questionou o Ibama em dois momentos sobre a situação no local. O instituto não confirmou nem desmentiu as mortes dos animais ou eventuais problemas na gestão. Em nota, informou apenas que "as equipes da Secretaria de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, Corregedoria e Diretoria de Uso Sustentável da Biodiversidade e Florestas do Ibama já foram acionadas e farão a apuração e adoção das medidas necessárias".

Em outro texto, enviado no início da noite, o órgão não falou das mortes dos animais nem do contrato que teria sido encerrado, mas confirmou a visita: “A Diretoria do Ibama e a Secretaria de Biodiversidade do MMA estiveram pessoalmente no CETAS do Rio de Janeiro nessa terça-feira, 23. Durante a visita já foram adotadas imediatas medidas corretivas para garantir que a situação não volte a se repetir. Também estão sendo apuradas as devidas responsabilidades.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.