PF instaura inquérito para investigar fuga de delegado

Sérgio Cardoso de Figueiredo fugiu da carceragem da Polinter, no Rio, onde estava preso

MARCELO AULER ,

01 Outubro 2007 | 19h36

Por determinação do procurador da República Eduardo André Lopes Pires, a Polícia Federal do Rio deverá instaurar inquérito para investigar as condições em que ocorreram a fuga do delegado federal aposentado Paulo Sérgio Cardoso de Figueiredo, 52 anos. Na quinta-feira passada ele saiu da carceragem especial da Polinter, no bairro de Campo Grande, zona Oeste do Rio, onde estava preso. Nesta segunda, a juíza do processo em que Figueiredo é acusado de seqüestro, formação de quadrilha, roubo e crime contra a fé pública, Rosália Monteiro Figueira, da 1ª Vara Criminal Federal, requisitou à Polinter a relação dos policiais de serviço no dia em que o preso teria fugido.   A carceragem da Polinter já foi comparada pelo juiz Vlamir Costa Magalhães, da 4ª Vara Federal Criminal, a uma colônia de férias. Na ação penal contra as quadrilhas que exploravam máquinas caça-níqueis na Zona Oeste do Rio, o juiz relacionou as regalias dadas aos presos: "contratação, com atendimento in loco, de garotas de programas, promoção de festas, churrascos , peixadas, uso de aparelhos celulares e de rádio comunicação e visitas em qualquer horário". Um exemplo é o contraventor Rogério Costa de Andrade, hoje recolhido  no presídio federal de Campo Grande (MS). Quando esteve na Polinter, segundo despacho do juiz datado de 10 de julho, ele contou com "um quarto privativo". O quarto permaneceu fechado depois que ele foi transferido. Figueiredo junto com os cabos do Corpo de Bombeiros do Rio Tito Lívio de Paiva Franco, 32 anos, e Antônio Lázaro da Silva Franca, 36 anos, no dia 15 de agosto roubaram R$ 30 mil do empresário M.A.S.. Os bombeiros, que trajavam camisetas da Polícia Federal forjando uma operação policial, foram fotografados pela reportagem do Estado o que permitiu a identificação deles. O delegado aposentado foi preso em 30 de agosto, em Cabo Frio, Região dos Lagos Fluminenses. Em juízo ele negou sua participação no crime. Seu advogado alega que ele é inimputável, em conseqüência de uma esquizofrenia paranóica. Apesar de incapaz, ele já foi condenado por extorsão e responde a outros dois processos e pelo menos mais um inquérito policial. Para o procurador Lopes Pires, a fuga deve estar relacionada à decisão da juíza Rosalia de instaurar um incidente de insanidade mental. Nele, o delegado deverá ser submetido a novo exame médico e, constatando-se a insanidade, ele seria remetido ao manicômio judicial.

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