PF prende candidata a vereadora no Rio por uso de milícia

Sobrinha de Natalino Guimarães é suspeita de fazer parte de grupo acusado de coagir e ameaçar eleitores

Clarissa Thomé, de O Estado de S. Paulo,

29 Agosto 2008 | 07h46

Duas pessoas ligadas ao deputado Natalino Guimarães (ex-DEM) foram presas na manhã desta sexta-feira, 29, pela Polícia Federal no Rio de Janeiro. Elas são acusadas de crimes eleitorais. A PF já cumpriu 11 dos 22 mandados de prisão na Operação Voto Livre. Guilherme Bernadelli, dono de uma distribuidora de gás, foi preso em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca. A candidata a vereadora Carminha Jerominho também foi presa. Carminha Jerominho é filha do vereador Jerominho, que é irmão do deputado estadual Natalino Guimarães, acusado de liderar milícia no Rio.  Jerominho já está preso por envolvimento com milícias. A operação desta sexta-feira cumpre mandados de prisão e busca e apreensão contra suspeitos. Agentes da PF também estão na casa do deputado Natalino Guimarães e de seu irmão.   Veja também: Filho de vereador Jerominho é acusado de comandar mortes no Rio DEM expulsa deputado ligado a milícias no Rio Assembléia do Rio decide manter deputado Natalino na prisão Relatório aponta 171 comunidades dominadas por milícias no Estado Natalino Guimarães acusa polícia de 'plantar' armas em sua casa Deputado suspeito de ligação com milícias é preso no Rio   Além da candidata Carminha e de um dono de uma fornecedora foram presos seis policiais militares e outros dois integrantes da milícia Liga da Justiça. Outro miliciano já estava preso anteriormente: Fabio Pereira de Oliveira, o Fabinho Gordo.   "Pela nossa investigação a candidata usava pessoas que fazem parte da milícia Liga da Justiça para lhe dar sustentação de força", disse o superintendente da PF Valdinho Caetano. O grupo é acusado de obrigar pessoas a deixarem suas casas por não apoiarem a candidata; de duas tentativas de homicídio por não terem cedido espaço para colocação de propaganda eleitoral; e de terem elevado o preço do gás para utilizar os recursos na campanha eleitoral   Os presos serão levados para o presídio federal de Catanduva porque a Justiça quer evitar que eles se articulem na prisão e continuem no comando da milícia. Os acusados foram indiciados por formação de quadrilha, coação eleitoral, extorsão, tentativa de homicídio.   O outro filho de Jerominho, Luciano Guinâncio, de 29 anos, ainda está sendo procurado pela PF. Guinâncio é acusado de fazer parte do grupo que matou sete moradores na Favela do Barbante. Entre as acusações contra o grupo procurado nesta sexta está até ameaça de morte a moradores de um condomínio em frente à favela da Corobinha. Os moradores foram ameaçados depois de se recusaram a ceder espaço para a instalação de um centro social pelo grupo de Jerominho.   Bernadelli, dono de uma distribuidora de gás foi preso sob acusados de pressionar vendedores de continuar fornecendo produtos para milicianos. Além dele, outro dono de distribuidora também é procurado nesta manhã. A PF vai dar entrevista coletiva com balanço da operação às 11 horas.   Veja abaixo os acusados que tiveram a prisão temporária pedida pela Procuradoria Regional Eleitoral no Rio de Janeiro:   Fábio Pereira de Oliveira; Ivilsor Umbelino de Lima; Julio César Ferraz; Flávio Mendes Augusto; Expedito Pereira Marques; Alexandre de Souza Pereira; CBPM Henrique, lotado no RPMont; Marco Antonio dos Santos Lopes; Moises Pereira Maia Júnior; Toni Angelo Souza Aguiar; Ricardo Carvalho Santos; Airton Padrilha de Menezes; Alonso dos Santos Holanda; Alexandre Bira; policial militar Kennedy; Marciel Paiva de Souza; Luciano Sabino da Silva; Tiago, vulgo Toni; Guilherme de Bem Berndinelli; Paulo César de Carvalho   Texto atualizado às 11h56

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