PF volta a prender cúpula do jogo do bicho na Hurricane 4

Primeira fase da operação foi deflagrada em abril; agentes cumprem 15 mandados de prisão no Rio de Janeiro

Alessandra Saraiva, Alexandre Rodrigues e Marcelo Auler, do Estadão,

29 Agosto 2007 | 11h48

A juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6.ª Vara Federal Criminal, decretou novamente a prisão de 15 dos envolvidos nas Operações Furacão 1 e 2, ocorridas em abril e junho deste ano. Por conta disto, os banqueiros de bicho Ailton Guimarães Jorge, o capitão Guimarães, Aniz Abrahão David, o Anísio da Beija Flor, e Antônio Petrus Kallil, o Turcão, apontados pelo Ministério Público Federal como os chefes da organização criminosa que explora bingos, caça-níqueis e o jogo do bicho no Rio voltaram a ser presos.   Na denúncia desta quarta-feira, 29, os bicheiros, os donos de bingos e de máquinas de caça-níqueis estão sendo acusados de lavagem de dinheiro. Os procuradores Marcelo Freire, Fabio de Lucca Seghese e Orlando Monteiro da Cunha entendem que os R$ 5,2 milhões encontrados em um apartamento no bairro da Tijuca, onde funcionava o escritório de Julio César Sobreira Guimarães, sobrinho do Capitão Guimarães, são de origem ilícita. Os bicheiros tinham sido presos na Operação Furacão 1, em abril e foram libertados  graças a habeas corpus assinado pelo ministro marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), no início de agosto. Nesta quarta-feira, também foi preso o filho de Turcão, Marcelo Calil Petrus, que ficou foragido nas primeiras etapas da operação. Marcelo, conforme documento apreendido pelos federais, é o sucessor do pai nos negócios ilícitos da família. Turcão, por conta da avançada idade (82 anos, teve o direito a permanecer em prisão domiciliar, isto é, na mansão que mantém em condomínio fechado em Camboinhas, bairro nobre da Região Oceânica de Niterói. Um escolta da Polícia Federal garantirá sua permanência na residência. Com a denúncia acatada pela juíza, já são 12 processos abertos contra 76 pessoas apenas na Justiça Federal do Rio. No Supremo Tribunal há uma denúncia contra seis acusados, entre eles o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Paulo Medina, e os  desembargadores federais José Eduardo Carreira Alvim e José Ricardo de Siqueira Regueira, do Tribunal Regional Federal do Rio, além do juiz do TRT de Campinas, Ernesto da Luz Pinto Dória. A tese defendida nesta nova denúncia é de que o dinheiro veio do jogo feito em máquinas que utilizam componentes contrabandeados, portanto, trata-de de dinheiro conseguido por meio ilegal. A utilização dele para pagamentos, inclusive de propinas a policiais e políticos - serviço que cabia a Júlio César -, no entendimento dos procuradores é uma lavagem. Além dos quatro bicheiros e de Júlio César, foram denunciados e tiveram mandados de prisão decretadas José Renato Granado Ferreira (ex-presidente da Associação de Bingos), Paulo Roberto Ferreira Lino (presidente da Associação de Bingos); Nagib Teixeira Suaid; João Oliveira de Farias; Belmiro Martins Ferreira, Laurentino Freire dos Santos, Licínio Soares Bastos (donos de bingos ou de empresas de máquinas de caça-níqueis); Marcos Antônio dos Santos Bretas, (policial civil que trabalha para Júlio César); Luciano Andrade do Nascimento, o "Bola" (auxiliar direto de Julio César, apontado como contador da organização criminosa); e Marcos Antnio Machado Romeiro (auxiliar de Marcos Bretas). Até o final da tarde desta quarta, segundo o superintendente da Polícia Federal no Rio, Valdinho Jacinto Caetano, três dos 15 acusados ainda não tinham sido presos: Licinio, Laurentino e Paulo Lino. O Ministério Público já recebeu do Conselho de Controle de Atividades Financeiras  (Coaf), uma relação com a movimentação de 125 contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas envolvidas com a máfia dos jogos no Rio. Os procuradores pediram à Receita Federal fiscalização detalhada destas pessoas. Com isto, segundo previsão do procurador Freire, mas de cem processos por lavagem de dinheiro deverão ser abertos na Justiça Federal do Rio.

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