PM da escolta do deputado Marcelo Freixo é assassinado

Alexandre Murta Fernandes teria reagido a assalto na porta de sua casa, na zona norte do Rio

Roberta Pennafort, Estadão Conteúdo

20 Novembro 2015 | 17h04

RIO - O sargento Alexandre Murta Fernandes, de 41 anos, foi assassinado em um assalto na porta de casa, em Bento Ribeiro, zona norte do Rio, na manhã desta sexta-feira, 20. Policial militar havia 15 anos, ele fazia desde 2008 a segurança pessoal do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), que passou a ser escoltado por ter recebido ameaças de morte em retaliação a seu trabalho à frente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa, naquele ano.

A CPI denunciou grupos de milícia, que têm policiais e bombeiros entre seus integrantes e cobram taxas pela segurança e por serviços a moradores de favelas e bairros pobres.

Muito abalado com a notícia do crime, Freixo contou ao Estado, por telefone, que Murta estava de folga no momento do crime - era feriado da Consciência Negra - e que reagiu a um assalto. Criminosos o abordaram diante da casa em que morava para roubar sua motocicleta, e ele atirou para tentar afastá-los. Os assaltantes também dispararam. O PM foi ferido. Chegou a ser levado para o Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, na zona oeste, onde morreu. O caso está sendo investigado pela Divisão de Homicídios da Polícia Civil.

“Nós tínhamos uma relação muito próxima, como tenho com todos os policiais que trabalham comigo. Ele era um dos mais antigos. Conheço os filhos dele. Era um excelente policial, uma pessoa extraordinária, um pai maravilhoso. É inacreditável que tenha acontecido isso com ele. Nada vai trazê-lo de volta, mas a Divisão de Homicídios irá investigar”, disse Freixo, rechaçando qualquer possibilidade de que o crime esteja relacionado à sua atuação parlamentar. “Isso não faz o menor sentido.”

A CPI das Milícias foi aprovada na Alerj depois de uma equipe de reportagem do jornal carioca “O Dia” ter sido sequestrada e torturada por milicianos da favela do Batan, na zona oeste. O relatório final da comissão foi aprovado por unanimidade e pediu indiciamento à polícia de 200 suspeitos de participação em milícia, entre eles, policiais, bombeiros e políticos.

O deputado e sua equipe constataram durante as investigações que os milicianos cobram por serviços como TV a cabo, venda de gás e transporte alternativo, ameaçando e matando quem se opõe a eles. Freixo passou a andar com escolta de PMs depois de ter recebido ameaças diretas.

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