Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

PM do Rio inicia cerco a quatro favelas do Complexo da Maré

A partir desta sexta, 1º, a área estará sob controle de ao menos 200 policiais, que substituirão os militares da Força de Pacificação

Danielle Villela e Felipe Werneck, O Estado de S. Paulo

30 de abril de 2015 | 20h21

RIO - A Polícia Militar (PM) iniciou na noite desta quinta-feira, 30, o cerco às quatro favelas do Complexo da Maré (zona norte do Rio) dominadas por quadrilhas de traficantes vinculadas à facção criminosa Comando Vermelho (CV). A partir desta sexta, 1º, a área estará sob controle de ao menos 200 policiais, que substituirão os militares da Força de Pacificação, radicados na Maré há um ano.

A presença de tropa armada do Exército, Marinha e Aeronáutica no complexo incomodou o ativista inglês Ben Phillips, diretor de Campanhas e Políticas da ActionAid, organização internacional que desenvolve projetos em comunidades carentes. Ele esteve na favela na quarta.


“Parecia uma guerra, não parecia um policiamento de área civil”, reclamou ele, que, pela primeira vez no Brasil, afirma ter se surpreendido ao ver soldados vestidos com toucas-ninja no complexo da Maré. “Ouvimos moradores que estão preocupados, há um temor de que a operação seja conduzida com mãos pesadas. Quando um policial militar vem à sua rua, isso deveria fazer você se sentir mais seguro. E essa não é a experiência dos moradores da Maré.”

A substituição dos militares pelos PMs do Comando de Operações Especiais (COE) integra o projeto do governo estadual de implantar quatro ou cinco Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs)na região até março de 2016. 

Os militares da Força de Pacificação, que ocupam a Maré desde 5 de abril de 2014, deixarão as favelas Parque União, Nova Holanda, Rubem Vaz e Nova Maré a partir do início da madrugada. Para a Secretaria de Segurança, é a área mais conflagrada das 16 comunidades, que também são controladas pelas facções Amigo dos Amigos (ADA) e Terceiro Comando (TC) e por milícias.

O plano da PM prevê cercos aos acessos da Maré. As vias expressas que margeiam o complexo (Avenida Brasil, Linhas Amarela e Vermelha) terão policiamento reforçado. O COE reúne PMs do Batalhão de Choque, Batalhão de Operações Especiais (Bope), Batalhão de Ações com Cães e Grupamento Aeromóvel.

A inauguração da primeira UPP deverá ocorrer em julho, nas comunidades Praia de Ramos e Roquette Pinto, dominadas por milícias.  A Força de Pacificação deixará a Maré gradualmente até 30 de junho.  

O conjunto de favelas tem 130 mil moradores. Nas quatro comunidades em que haverá a troca de militares por PMs vivem 50.578 pessoas (39% da população local). Dos 160 bairros do Rio, a Maré ocupa a 137.ª posição no Índice de Desenvolvimento Social (IDS), calculado pela prefeitura.

A Secretaria de Segurança do Estado não comentou as críticas à estratégia adotada na Maré.  O Exército informou em nota que  “as ações são (...) baseadas na proporcionalidade e no uso progressivo da força com a finalidade de preservar a integridade física do cidadão e da tropa” e que “os meios militares são utilizados de forma seletiva contra os perturbadores da ordem pública, buscando causar os menores transtornos possíveis à grande população da Maré, composta por trabalhadores e famílias que, há décadas, sofrem com a atuação de facções criminosas”.

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