PM é condenado a 542 anos de prisão por chacina no Rio

José Augusto Moreira Felipe é o segundo policial culpado pela morte de 29 pessoas em maio de 2005

Talita Figueiredo, especial para O Estado de S. Paulo,

12 de dezembro de 2007 | 20h35

O Tribunal do Júri de Nova Iguaçu condenou nesta quarta-feira, 12, o cabo da PM José Augusto Moreira Felipe a 542 anos de prisão. Ele foi o segundo policial militar condenado por participação na Chacina da Baixada, que deixou 29 pessoas mortas e uma ferida em 31 de março de 2005. O julgamento durou três dias e, ao final da leitura da sentença, familiares das vítimas fizeram uma oração e soltaram fogos. A juíza Elizabeth Machado Louro, presidente do Tribunal do Júri, classificou o crime como uma barbárie. "Crimes, que pela barbárie, chocaram a população. Os agentes percorreram vários logradouros e executaram aleatoriamente pessoas inocentes", afirmou. Segundo ela, o crime é repugnante principalmente pelo fato de o acusado ocupar o cargo de policial militar, que "deveria estar comprometido com a defesa da ordem e da vida humana", completou. Por cada um dos 29 homicídios ele foi condenado a pena de 18 anos de prisão, somada a outros 12 anos por uma tentativa (o menino ferido). De acordo com o processo, Felipe tem 14 antecedentes criminais, todos ainda sem condenação. Pela Chacina da Baixada foram denunciados pelo Ministério Público 11 PMs. Cinco das denúncias foram aceitos pela Justiça. O primeiro julgado, Carlos Jorge de Carvalho, foi condenado a 543 anos de prisão. O defensor público Rômulo Souza de Araújo recorreu da sentença em plenário. Segundo ele, não haveria nenhum indício no processo de participação do réu na chacina.

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