Tasso Marcelo/Estadão
Tasso Marcelo/Estadão

PM é condenado por integrar grupo de extermínio no Rio de Janeiro

Pena foi de 79 anos de prisão; policial também é investigado pelo homicídio da magistrada Patrícia Acioli em Niterói, em 2011

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2017 | 04h00

RIO - A Justiça do Rio condenou nesta semana o policial militar Alexsandro Horffamm Lopes a 79 anos de prisão por homicídio qualificado, extorsão mediante sequestro e associação criminosa. Ele é apontado como um dos chefes de um grupo de extermínio formado por policiais civis e PMs. Outros 13 integrantes da quadrilha foram denunciados pelos mesmos crimes. O grupo era investigado pela juíza Patrícia Acioli, assassinada em Niterói, na região metropolitana do Rio, no ano de 2011.

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Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio, Lopes era o responsável por organizar as ações cometidas pelo grupo, que estaria ligado ao extermínio de traficantes de drogas. 

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As investigações apontaram que ele esteve no local da execução de Diego Torres da Silva e Rafael Dias de Miranda em julho de 2010. Os crimes ocorreram no bairro Jardim Catarina, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio. Lopes teria orientado outros cinco integrantes do grupo sobre como o crime deveria ser cometido.

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O julgamento, realizado na última terça-feira, foi presidida pela juíza Juliana Grillo El-Jaick, da 4.ª Vara Criminal de São Gonçalo. Na sentença, ela destacou que a forma como o crime foi cometido impediu a defesa das vítimas, já que a quadrilha estava em maior número e com mais recursos. A magistrada também negou o pedido para que Lopes recorresse em liberdade.

“O apenado não faz jus ao direito de apelar em liberdade, vez que permaneceu preso a todo o processo, de forma que não faz sentido soltá-lo agora, após a prolação de sentença condenatória”, considerou a magistrada Juliana. “Ademais, a prisão do mesmo se apresenta necessária para garantir a aplicação da lei penal, pois, uma vez em liberdade, poderia tentar escapar da atuação estatal.”

A reportagem não conseguiu localizar a defesa do policial Lopes nesta sexta-feira, 1º.

 

Caso

Patricia Acioli tinha 47 anos, morava em Niterói e atuava na 4.ª Vara Criminal de São Gonçalo. Era considerada linha-dura e foi responsável pela prisão de cerca de 60 policiais ligados a grupos de milícia e de extermínio. Policiais foram condenados a penas de até 36 anos de prisão pelo crime.

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