MARTHA SANTHUZA/MEIONORTE.COM
MARTHA SANTHUZA/MEIONORTE.COM

PM suspeito de matar Eduardo reafirma que houve confronto no Alemão

Segundo ele, patrulha da Polícia Militar foi atacada e reagiu com três tiros; policial assumiu ter feito o último disparo; estudante, de 10 anos, morreu com tiro na cabeça

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

15 de abril de 2015 | 18h33

RIO - O policial militar suspeito de ter matado o menino Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos, no Complexo do Alemão, zona norte, reafirmou no segundo depoimento à polícia que houve confronto com criminosos na localidade do Areal. Ele disse que a patrulha da Polícia Militar foi atacada e reagiu com três tiros. O PM assumiu ter feito o último disparo.

Lotado na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Alemão, o soldado, que não teve o nome divulgado pela Delegacia de Homicídios, depôs na noite desta terça-feira, 14. Mais dois soldados que estavam na favela quando a criança morreu prestaram depoimentos. O estudante foi morto no dia 2, na porta de casa, com um tiro de fuzil na cabeça.

Segundo o advogado Rafael Abreu Calheiros, que defende os 4 PMs da UPP e 10 do Batalhão de Choque que participaram da ação, todos os policiais interrogados sustentaram que houve troca de tiros e que os criminosos disparavam na direção deles com pistolas calibre 40. De acordo com a defesa, nenhum PM admitiu ter atirado contra Eduardo.


“Primeiro, porque eles não viram nenhum menino. Há dúvida se foram policiais ou se foram armas dos meliante", disse Calheiros. Questionado sobre o laudo cadavérico que aponta que a bala fatal partiu de uma arma potente como um fuzil, o advogado disse que bandidos podem ter atirado de perto. “A curta distância, (pistola) faz tanto estrago quanto fuzil."

Calheiros disse que a defesa manterá a linha de que o disparo, se comprovado ter partido da arma de um policial, foi um “erro acidental” provocado pela situação de troca de tiros. 

Maré. A bala perdida que matou anteontem Cláudia Rocha, de 44 anos, na Vila do João, Complexo da Maré, era de fuzil, concluíram peritos da Polícia Civil. Segundo investigadores da Delegacia de Homicídios, o tiro partiu de longa distância, atingindo a comerciante na cabeça, sem transfixá-la.

Três militares do Exército, integrantes da Força de Pacificação da Maré, já foram ouvidos e negaram ter estado na localidade em que Cláudia morava. O Exército informou  que os militares patrulhavam a área quando foram atacados por bandidos a tiros de fuzis e pistolas. Teriam, então, revidado.  Desde 1º deste mês, a Força vem sendo substituída pela PM nas favelas da Maré.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.