MARCOS DE PAULA/ESTADÃO
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PM transfere soldado de UPP inocentado no caso do dançarino DG

Walter Valadão estaria sofrendo represálias de colegas; segundo delegado, policial forneceu peças fundamentais para investigação

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

05 Março 2015 | 11h49

RIO - A Coordenadoria de Polícia Pacificadora informou que um dos policiais militares que participaram da ação que resultou na ação na morte do dançarino Douglas Rafael Pereira Silva, o DG, foi transferido da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Pavão-Pavãozinho. O soldado Walter Valadão foi citado no inquérito policial que apurava a morte do dançarino do programa Esquenta, apresentado por Regina Casé na TV Globo, em 22 de abril de 2014. No entanto, Valadão não foi indiciado.

O soldado prestava retaguarda para um grupo de cinco policiais, que, juntos, teriam mentido em depoimento à polícia. Quatro deles vão responder por falso testemunho e prevaricação, e um deles, Walter Saldanha Correia Júnior, apontado como autor do disparo que vitimou DG, responderá por homicídio doloso qualificado.

De acordo com o delegado Gilberto Ribeiro, da 13ª Delegacia de Polícia (Ipanema), além de não ter mentido em seu depoimento, Valadão forneceu peças fundamentais para que o caso fosse solucionado. Foi ele que disse ter ouvido do soldado Walter Saldanha, momentos depois da ação, que ele tinha "acertado um ganso". O "ganso" era DG.

O policial foi transferido porque estaria sofrendo represália de colegas. Ao todo, sete policiais foram indiciados no inquérito. Além dos cinco que participaram da incursão na comunidade, dois policiais que encontraram o corpo de DG no dia seguinte à sua morte vão responder por falso testemunho e prevaricação por terem mentido para os investigadores em depoimento.

Investigações. O inquérito foi entregue nesta quarta-feira, 4, ao Ministério Público Estadual. O delegado sustenta que, no momento em que foi baleado, DG não oferecia perigo aos policiais, apesar de, pouco antes, ter havido uma troca de tiros entre PMs e bandidos da favela.

"Eles tiveram o dolo de matar e sabiam que, naquela posição, a vítima não oferecia risco algum", disse Ribeiro, que pediu para o Ministério Público requerer à Justiça a prisão preventiva de Correia Júnior por homicídio doloso qualificado.

Segundo as investigações, o tiro que matou DG foi disparado de baixo para cima. Correia Júnior e quatro PMs estavam sob um prédio na favela. No quarto andar, sobre um beiral da janela, o dançarino se protegia do tiroteio. A movimentação de DG teria feito com que parte do beiral desabasse. Os policiais teriam pensado que fosse uma bomba. Foi quando, segundo o inquérito, o PM atirou. Nenhum dos policiais indiciados mencionou o disparo em depoimento. Foram descartadas pelo delegado as hipóteses de tortura ou execução.

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