PMs do Complexo do Alemão passarão por avaliação psicológica

PMs do Complexo do Alemão passarão por avaliação psicológica

Segundo o comandante da PM, Alberto Pinheiro Neto, intenção é 'entender o pensamento do policial em situação de risco'

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

09 de abril de 2015 | 16h10

RIO - Os policiais militares das Unidades de Polícia Pacificadora de três favelas do Complexo do Alemão vão passar por avaliação psicológica durante treinamento de reciclagem. O programa foi iniciado depois da morte do menino Eduardo de Jesus, de 10 anos, no último dia 2, atingido por um tiro de fuzil na cabeça. Dois policiais militares pediram atendimento psicológico após ação que terminou com a morte da criança.

"Não estamos dizendo que os policiais estão fora de controle, que há uma epidemia. O policial que está com problema, sintomas de estresse pós traumático, tem todo o direito de procurar atendimento", afirmou o comandante da Polícia Militar, Alberto Pinheiro Neto, ao explicar que a intenção da avaliação é "entender o pensamento do policial em situação de risco" para reformular o treinamento.


Pinheiro Neto se recusou a informar o nome dos dois PMs da UPP que estavam na ação em que Eduardo foi morto. Segundo ele, os dois serviam de guia para equipes do Comando de Operações Especiais (COE) que se deslocavam na favela. "Não houve operação policial. Mas um simples deslocamento no terreno para a tropa se estabelecer em outro ponto", afirmou o comandante. Ele evitou comentar detalhes da investigação, como se houve confronto com traficantes ou se os policiais estão sendo investigados por alteração de provas - os cartuchos foram recolhidos no local em que Eduardo foi morto.

Ao contrário do governador Luiz Fernando Pezão, que disse que haveria reocupação do Complexo do Alemão, Pinheiro Neto afirmou que as UPPs estão sendo reorganizadas. "Estamos iniciando um freio de arrumação no processo de ocupação", afirmou.

A avaliação é de que as tropas estavam "fragilizadas", sem bases policiais seguras e sob forte estresse por causa dos constantes ataques. "Nós verificamos que em algumas UPPs  havia medo, desconfiança entre a polícia, entre a comunidade. Isso é preocupante. Onde há medo, onde há desconfiança não há como se fazer política de proximidade", afirmou o chefe do Estado Maior, coronel Robson Rodrigues. "O treinamento somente para a polícia de proximidade fragilizava o policial, o expunha a risco, ao estresse e nessa situação as reações não são bem controladas".

O treinamento que se iniciou é voltado para a autoproteção. "Foca em como progredir nas áreas, como utilizar ambiente para se proteger, a maneira adequada de conduzir a arma, e a maneira adequada de avaliar o alvo", afirmou Pinheiro Neto. "O policial bem treinado, consciente das ações, protegido no terreno e com boa estrutura de trabalho, seu nível de estresse diminui. O risco operacional diminui".

Inicialmente, 320 policiais do Morro do Alemão passarão pelo treinamento nos próximos 45 dias, em turmas de 60. Depois, outros 340 agentes da UPP da Nova Brasília e 320 da Fazendinha passarão pela reciclagem.

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