PMs do Rio baixam o tom e reconhecem novo comandante

Em assembléia, policiais decidem recuar em relação ao governo do Rio, mas não querem negociar com Beltrame

Clarrisa Thomé, de O Estado de S. Paulo,

30 de janeiro de 2008 | 23h58

Duzentos oficiais da PM se reuniram em assembléia na noite desta quarta-feira, 30, e baixaram o tom em relação às reivindicações ao governo do Estado do Rio de Janeiro. Eles reconhecem o comando do coronel Gilson Pitta Lopes e até admitem a permanência do secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, no cargo. Pedem, no entanto, que o secretário não participe mais das rodadas de negociação salarial. Para Cabral, 'meia-dúzia' de policiais querem a desordem na PM Comandante da PM do Rio assume e 'manda recado' a oficiaisApós exoneração de comandante, PM faz 'operação padrão' O encontro aconteceu na sede da Associação de Militares do Estado (AME), no centro, que reúne oficiais da PM e do Corpo de Bombeiros. "Aceitamos o comando legítimo e legal. A nomeação do coronel Pitta é legal, mas pediremos que o secretário Beltrame fique afastado de qualquer negociação", afirmou o coronel Gilson Ferreira Anaide, presidente da AME. O coronel criticou o motim de PMs que permaneceram aquartelados dentro de quatro batalhões durante a manhã desta quarta, em protesto à exoneração do coronel Ubiratan Ângelo. "Nosso movimento só se sustenta se for legítimo, legal, dentro da ordem e da disciplina", afirmou. Nesta noite, a associação divulgou a lista dos 45 oficiais que apresentaram o pedido de exoneração. Segundo informação da instituição, todos os comandantes das unidades médicas se demitiram. O mesmo ocorreu com 12 comandantes de batalhões. No entanto, alguns oficiais que haviam se comprometido com a exoneração na véspera voltaram atrás. Entre eles está o ex-diretor geral de Finanças, coronel Carlos Jorge Ferreira Fogaça, e o coronel Adilson Teodoro Soares. Segundo informações da associação, Fogaça teria sido nomeado chefe de gabinete de Pitta e Soares, subchefe do Estado Maior. "Não queremos falar em traição, mas esse comportamento é no mínimo estranho", disse um oficial que preferiu não se identificar. Na sexta-feira, os policiais dão continuidade à campanha por melhores condições de trabalho. Eles farão manifestação na praia de Copacabana, afixando na areia 586 cruzes em memória ao número de policiais mortos entre os anos de 2004 e 2007.

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