Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

PMs encapuzados fazem reconstituição da morte de menino no Alemão

Mãe e uma das irmãs de Eduardo de Jesus Ferreira já foram ouvidas pela polícia; outras duas reconstituições são feitas na região

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

17 de abril de 2015 | 14h01

Atualizada às 20h51

RIO - Com a presença de 11 policiais militares envolvidos na ação que resultou na morte de Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos, no dia 2 no Complexo do Alemão (zona norte do Rio), a Polícia Civil do Rio tentou nesta sexta-feira, 17, reconstituir as condições exatas encontradas no momento do assassinato. A expectativa é de que o trabalho durasse mais de 12 horas.

O delegado titular da Delegacia de Homicídios, Rivaldo Barbosa, marcou o depoimento dos PMs para as 17h30, a fim de ter condições de “temperatura e luminosidade” similares ao momento em que o menino foi baleado. Encapuzados, os policiais chegaram às 16h15 à localidade do Areal.

Sete policiais do Batalhão de Choque e quatro da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Alemão foram ouvidos no inquérito que apura o crime. Dois admitiram ter disparado na ação. 


Segundo afirmou na quinta-feira o advogado Rafael Abreu Calheiros, que defende 4 PMs da UPP e 10 do Batalhão de Choque, todos os policiais interrogados sustentaram que houve troca de tiros naquele dia e os criminosos disparavam com pistolas calibre 40. Questionado sobre o laudo que aponta que a bala fatal partiu de uma arma potente como um fuzil, o advogado disse que bandidos podem ter atirado de perto. 

Pelo menos nove pessoas foram ouvidas nesta sexta na reprodução simulada, entre elas uma irmã de Eduardo e a mãe, Terezinha de Jesus. A área onde peritos trabalhavam foi isolada de jornalistas e moradores. 

“Vamos esperar o laudo dos peritos, que têm de 15 a 45 dias”, disse o delegado, detalhando os próximos passos. “Nesse momento, o importante é ver o visual que os policiais militares tinham, porque eles alegam não ter visto o menino”, afirmou o promotor Homero das Neves Freitas Filho, da 23.ª Promotoria de Investigação Policial. 

Mais casos. Outras duas reconstituições ocorreram simultaneamente no Alemão: a da morte de Elizabeth de Moura Francisco, de 40 anos (no dia 1.º), e a do ex-comandante da UPP de Nova Brasília, capitão Uanderson Manoel da Silva, de 34 anos, assassinado em setembro de 2014. Ao todo, 120 policiais civis, oito delegados e dez peritos participaram das reconstituições.

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