PMs vão à Justiça contra filme 'Tropa de Elite'

Pelo menos 19 oficiais entraram na Justiça pedindo modificações em "Tropa de Elite", que estreará no mês que vem, acusando o filme de denegrir a imagem do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM do Rio, a tal tropa de elite retratada na história. Esse é o segundo percalço do filme, que foi distribuído em cópias piratas no último mês. Para o advogado Rodrigo Roca, que representa os policiais (e diz não ter visto a versão pirata), "o filme mostra o Bope como uma horda de assassinos e torturadores". Os oficiais se sentiram lesados porque, segundo ele, alguns personagens são "perfeitamente identificáveis", através de referências e a identidade numérica. O longa do diretor José Padilha tem cenas de tortura e assassinatos cometidos por personagens que são PMs do Bope; por outro lado, os mostra como incorruptíveis, em oposição aos policiais de batalhões comuns (não especializados). A trama se baseou no livro "Elite da Tropa", que tem entre seus autores Rodrigo Pimentel, um ex-capitão do batalhão. Rodrigo Roca disse que "o filme é localizado no tempo e no espaço, o mês de abril de 1997, fala de determinado batalhão, determinada operação, dos negociadores do Bope. Fala que os oficiais agem dessa e daquela maneira, executam companheiros". "A instituição é enxovalhada o tempo todo". Entre os autores da ação, está o coronel Fernando Príncipe, ex-comandante do Bope. O advogado entrou com medida cautelar na Justiça, com pedido de liminar para que a Justiça impeça a exibição do filme do modo como está - ou determine a supressão de tais referências. Ou ainda mude os diálogos em questão, de modo a não precisar de que policial se está falando. A ação é contra a produtora Zazen e a distribuidora Paramount. Roca ressaltou ainda que é importante deixar claro ao espectador que aquilo é uma obra de ficção. O produtor Marcos Prado disse que o advogado da Zazen está pronto para atuar. "Isso não vai dar em nada. É uma tentativa de aparecer, porque o filme está gerando muita polêmica."

ROBERTA PENNAFORT, Agencia Estado

11 Setembro 2007 | 17h32

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