Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Polícia apontará em um mês os responsáveis por acidente da Tuiuti

Motorista de carro alegórico prestou depoimento e pediu novamente desculpa às vítimas; acidente deixou 20 feridos, dos quais três permanecem internados

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

01 Março 2017 | 12h24

RIO - O delegado William Lourenço, da 6ª Delegacia de Polícia (Cidade Nova) informou na manhã desta quarta-feira, 1º, que as investigações do acidente com o carro alegórico da escola de samba Paraíso do Tuiuti, no domingo de carnaval, 26, serão concluídas em um mês. Em dez dias, sairá o laudo da perícia realizada em três etapas. 

Nesta Quarta-Feira de Cinzas, foi feita a última análise pericial do carro, no sambódromo. Pouco depois das 8 horas, os peritos iniciaram a vistoria, concluída após cerca de duas horas. A escola foi liberada pela polícia para retirar o veículo do sambódromo.

"A gente não tem condição de, só de olhar, adiantar alguma conclusão. Seria muita precipitação. Os peritos ocuparam a posição do motorista, fizeram o deslocamento com e sem a parte acoplada". Foi um trabalho bastante completo", afirmou o delegado. "Vamos partir agora para a parte das oitivas. Vamos ouvir as pessoas envolvidas, as que projetaram o carro, quem comandou o trabalho aqui no dia. Tem bastante coisa a ser feita."

Segundo Lourenço, três pessoas prestaram depoimento até o momento. Uma delas foi o motorista do carro, Francisco de Assis Lopes, de 53 anos. 

Lopes esteve no sambódromo pela manhã. Durante a perícia, manteve-se ao lado do veículo, acompanhado de dois filhos. O motorista se negou a dar entrevista. Em um único instante em que falou com a imprensa, voltou a pedir desculpas às vítimas, como fizera na tarde de segunda-feira, 27.

Vinte pessoas se feriram: algumas, por serem imprensadas pelo carro, que entrara torto na pista, contra uma grade de ferro; outras, quando o veículo deu ré, na Passarela do Samba.

"Não quero culpar e acusar ninguém. Só quero pedir desculpa às vítimas. Me perdoem mesmo. Sou motorista de caminhão. Só quero voltar com minha vida normal", afirmou. 

Escola. O diretor de carnaval da Paraíso do Tuiuti, Leandro Azevedo, que também acompanhou o trabalho dos peritos, rebateu informações divulgadas pela família do motorista na última segunda-feira, após ele prestar depoimento.

Os filhos de Lopes disseram que ele não sabia da existência de um segundo carro acoplado ao que dirigiria, que teria impedido sua visão. Eles afirmaram também que a equipe que o auxiliaria na direção, permanecendo nas laterais e à frente do carro para direcioná-lo, não compareceu. 

"O que a gente quer é a verdade. O motorista sabia do carro acoplado. Vamos aguardar os peritos", disse Azevedo.

O diretor da Paraíso de Tuiuti garantiu que cinco técnicos guiavam o trabalho de Lopes no momento do acidente. "Eu era um deles", complementou. E negou que o motorista tenha sido agredido após o acidente - na delegacia, o profissional afirmou que fugiu do local porque integrantes da escola o atacaram. Ele tinha uma atadura na testa.

Segundo Azevedo, houve confusão para retirá-lo do carro e não para agredi-lo. Ainda de acordo com o diretor de carnaval, a escola está prestando assistência às vítimas. Três delas permanecem internadas. 

Mais conteúdo sobre:
Carnaval Paraíso Tuiuti Lopes

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.